Os programas políticos de candidatos que vão disputar as eleições de 2014 devem ter orçamento de cinema. Especialistas avaliam que os partidos devem investir cada vez mais em superproduções para se destacar nos vídeos exibidos no horário eleitoral gratuito na televisão e, por meio deles, conquistar mais votos para seus candidatos.
Segundo o professor da FAC/UnB (Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília) Paulo José Cunha, os investimentos estão cada vez mais altos porque é por meio do vídeo que o político entra na casa do eleitor para se apresentar como candidato.
De acordo com o especialista, que é estudioso de campanhas políticas, o político sabe que precisa emocionar o telespectador para convencê-lo.
— Quando você joga uma mensagem pela televisão, pela própria forma de transmissão e absorção da informação, ele atinge primeiro, no cérebro, os centros da emoção e não da razão. Nas campanhas modernas, as plataformas eleitorais, que são muito chatas na maioria das vezes, são enfeitadas para poderem chegar de uma forma atraente ao telespectador. Tem que enfeitar; senão, o sujeito vai lá e desliga a televisão ou muda de canal.
Produção de cinema
Candidatos que vão disputar um cargo majoritário, como o de governador por exemplo, devem gastar por volta de R$ 3 milhões na produção de um único vídeo da campanha, segundo levantamento feito pelo R7 em produtoras independentes de São Paulo. Com esse valor seria possível filmar um longa-metragem de produção mediana no Brasil.
Produtoras estimam que o vídeo de apresentação de Fernando Haddad como candidato à prefeitura de São Paulo, na campanha de 2012, custou cerca de R$ 4 milhões. Foram utilizados helicóptero, figurantes e vários recursos tecnológicos para tratamento de imagem.
Antes da campanha, Haddad estava em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Durante a exibição do horário eleitoral ele subiu para o segundo lugar, garantiu o segundo turno e se tornou prefeito de São Paulo.
O diretor da produtora Ibelin, Elder Monteiro, avalia que a superprodução de Haddad é um divisor de águas na história das campanhas políticas. Segundo ele, a tendência agora é que os programas sigam esse mesmo formato.
— Nunca tinha sido feito antes no Brasil. Nos Estados Unidos é mais comum, mas aqui foi a primeira vez. E acredito que é uma tendência a partir de agora, principalmente em partidos que tem mais dinheiro para investir.
O diretor-executivo da Produz Vídeo, Fernando Pinheiro, explica que, na empresa dele, a campanha completa para um candidato a governador custa entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões. No entanto, um único vídeo pode chegar a R$ 3 milhões. Tudo depende do tamanho da produção.
— As produções vão ficar maiores porque não existe mais aquela política de ataque. Agora, é uma política de propostas. Então, tem que criar coisas novas e por isso surgem essas produções cinematográficas.
A cifra pode mais que dobrar se o protagonista do programa for um candidato à Presidência da República. Já nas campanhas para deputados e senadores, que são um pouco menores porque eles têm pouco tempo de televisão, o investimento varia de R$ 30 mil a R$ 100 mil.
Os gastos começam mesmo antes da campanha oficial. No mês de outubro, um ano antes das eleições de 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) protagonizaram o programa político de seus respectivos partidos, que já tiveram produção diferenciada. Os dois devem ser candidatos à Presidência da República no ano que vem.