Atual presidente do PT e favorito para ser reconduzido ao cargo na eleição interna da legenda, o deputado estadual Rui Falcão (SP) disse neste domingo (10) que respeitará eventuais decisões locais que contrariem a estratégia nacional para reeleger a presidente Dilma Rousseff.
— Não cogitamos nenhum tipo de intervenção [nos diretórios estaduais].
Apesar da afirmação, Falcão disse que o partido terá no máximo 12 candidaturas próprias a governador em 2014.
— A nossa orientação nacional é reeleger a presidente Dilma Rousseff e aumentar o número de deputados e senadores.
Principal aliado da presidente no plano nacional, o PMDB fala em lançar 22 nomes, o que inviabilizaria a capilarização da parceria. Depois de concluída a apuração das urnas do PED (Processo de Eleições Diretas) do PT, o que deve ocorrer até esta segunda-feira (11) a primeira missão da nova cúpula petista será reconstruir pontes com os caciques regionais peemedebistas.
Durante a campanha do PED, os candidatos adversários de Falcão criticaram a decisão de dar prioridade às alianças locais com o PMDB em detrimento do lançamento de candidaturas próprias. Foi a demora da cúpula petista em intervir nos diretórios "rebeldes" que levou o aliado a anunciar voo próprio em quase todos os Estados brasileiros.
O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO) disse recentemente à reportagem cada um usa as armas que tem.
— Entendo esse processo (de candidaturas próprias) como natural. Cada um vai ter que se virar com as armas que tem.
Segundo o peemedebista, as conversas com os petistas sobre os palanques regionais serão intensificadas depois do PED. Pelo cenário atual, PT e PMDB têm chances concretas de estarem unidos apenas em cinco Estados: Pará, Amazonas, Rondônia, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Ainda assim, não existe consenso fechado nesses locais. Para ampliar esse número, Falcão teria de convencer os petistas de Estados como Goiás, Espírito Santo e Maranhão a abrirem mão de seus planos locais para apoiar o PMDB.
Efeito Sarney
O caso do Maranhão, base política do senador José Sarney (AP), é considerado o mais emblemático. Em 2010, o PT apoiou a candidatura de Roseane Sarney, mas saiu do processo rachado.
Três anos depois, o partido está novamente dividido entre seguir com o clã Sarney ou apoiar a candidatura do presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B), ao governo estadual. Falcão diz que pessoalmente apoiaria Roseana para o Senado.
— Tenho posição pessoal de apoiar a candidatura de Roseana ao Senado. Acho que a maioria da nossa militância tende apoiar a candidatura do Flávio Dino para o governo.
Outro Estado problemático é o Espírito Santo. A cúpula nacional do PT tenta costurar uma aliança em torno de uma candidatura do PMDB, mas o diretório local insiste em apoiar a reeleição do atual governador, Renato Casagrande (PSB), que é do mesmo partido de Eduardo Campos, provável adversário de Dilma em 2014.
— É uma possibilidade estar com o PSB, mas também podemos formar um palanque mais forte. O Casagrande já disse que ficará neutro na campanha, mas estamos buscando mais que a neutralidade. Nós queremos o apoio.
O maior problema nesse caso é que a direção do PSB nacional não admite neutralidade no Espírito Santo e exige apoio de Casagrande a Eduardo Campos na campanha presidencial do ano que vem.