O ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista à colunista do jornal Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, que não irá se “dobrar” após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de executar as penas dos crimes sem direito a recurso dos réus do processo do mensalão. "Eu não vou me dobrar. Eu vou continuar lutando. Nenhuma prisão vai prender a minha consciência”, disse Dirceu à publicação.
"O que eu não posso aceitar é essa coisa medieval, de inquisição. Não basta as pessoas serem condenadas, elas têm que ser linchadas? Como é que publicam a foto da minha filha de 3 anos nos jornais? Isso é proibido em qualquer lugar do mundo, é o direito de uma menor", disse o ex-ministro, criticando a divulgação de uma foto em que ele aparece em uma praia, na Bahia, ao lado de sua filha.
Pela decisão tomada pelo STF, Dirceu deveria iniciar cumprindo pena em regime semiaberto, embora tenha sido condenado para regime fechado. Segundo o entendimento dos ministros, o Supremo deveria determinar a execução de crimes dos quais não cabem mais recurso.
No caso de Dirceu, ele deve começar a cumprir a pena de sete anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto por corrupção ativa. Ele irá para o regime fechado caso o Supremo confirme a condenação de dois anos e 11 meses de prisão por quadrilha, tema questionado nos embargos infringentes. Nessa hipótese, a pena já cumprida em regime semiaberto seria descontada do total.
Dirceu afirmou ainda que não aceita “linchamento” e que encarará a condenação de “peito aberto”. "Estão plantando o ovo da serpente. E a primeira vítima será a própria imprensa, os jornalistas. Foi assim em 1937, em 1964. Os que apoiaram foram os primeiros a sofrer depois.”
O ex-ministro criticou a atuação da imprensa na cobertura do julgamento do mensalão e apontou erros dos meios de comunicação, como no acompanhamento dos protestos, em junho deste ano. "Elas (manifestações) foram cantadas em prosa e verso. E logo depois jornalistas foram agredidos no meio da rua, carros de reportagem foram incendiados. O que aconteceu com a TV Globo? Os repórteres da TV Globo não podem sair às ruas para fazer suas matérias”, disse. "Fui condenado sem provas. É público e notório que sou inocente e que a minha vida é limpa. E virei um chefe de quadrilha?"