O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, informou por meio de nota divulgada ontem (5) que o cliente desistiu do trabalho no hotel Saint Peter, em Brasília, no qual ganharia salário de R$ 20 mil.
Segundo o advogado, a desistência se deve ao "clima de linchamento midiático instalado contra José Dirceu e contra a empresa que lhe ofereceu trabalho". Oliveira Lima informou ao G1 que o pedido de desistência será feito formalmente à Vara de Execuções Penais nesta sexta-feira (6).
Na terça-feira (3), o Jornal Nacional localizou no Panamá, país da América Central, o homem que seria o presidente da empresa que administra o hotel. De acordo com reportagem do JN, a companhia controladora do Saint Peter é presidida por um panamenho que mora em uma área pobre da Cidade do Panamá e trabalha como auxiliar de escritório em uma empresa de advocacia.
Condenado no processo do mensalão, Dirceu cumpre pena de 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa em Brasília em regime semiaberto, quando é possível deixar o presídio para trabalhar de dia. O ex-chefe da Casa Civil também foi condenado a mais 2 anos e 11 meses por formação de quadrilha, mas não começou a cumprir a punição porque ingressou com recurso que só será julgado no ano que vem.
Na nota de esclarecimento, o advogado destaca que a proposta de trabalho preenchia todos os requisitos previstos em lei. "Anunciamos que o ex-ministro decidiu abrir mão da oferta de emprego. Trata-se de uma decisão tomada com o objetivo de diminuir o sofrimento dos empresários que lhe fizeram a oferta e das centenas de funcionários que trabalham no grupo - agora sujeito também aos efeitos corporativos de uma cobertura marcada pela irracionalidade e pelo espírito de justiçamento, não de justiça."
Oliveira Lima diz ainda que a mídia tratou a proposta como uma "farsa". "Essa atitude denuncia a intenção de impedir que o ex-ministro trabalhe, direito que lhe é garantido pela lei e que vale para todos os condenados em regime semiaberto."