O senador Delcídio do Amaral (PT) admitiu, pela primeira vez, estar trabalhando intensamente no movimento político para salvar o mandato do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP). Mas reconheceu a paralisia da administração da cidade por causa da dificuldade no relacionamento do prefeito com os políticos. “Apoiamos Alcides, porque tínhamos acordo e a gente apoia alguém para fazer boa gestão”, explicou. Mas não esperava pelo fracasso do governo de Bernal. “Agora, todos nós estamos empenhados em salvar Bernal e dois terços de Campo Grande ainda espera boa gestão dele. Então, temos de trabalhar para que ele (prefeito) dê certo”, afirmou.
Delcídio confirmou o pedido de apoio aos vereadores da oposição para viabilizar a governabilidade. “Disse que respeito a posição de cada um deles de continuar na oposição”, afirmou. Porém, o petista justificou aos vereadores a sua determinação para ajudar o prefeito. “Apoiamos Bernal para dar certo. Ninguém tem bola de cristal para adivinhar que ele iria fazer uma administração fracassada”, destacou.
O posicionamento do senador foi criticado pelo presidente regional do PSD, ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues. Ele não acredita na recuperação de Bernal. “Lamento muito que Delcídio tenta salvar o Bernal. Salvar o Bernal é ser contra Campo Grande”, afirmou.
Para Antonio João, “Delcídio comete erro gravíssimo e até imperdoável de apoiar Bernal”. Pensando ter sido a melhor alternativa, o senador ressaltou o compromisso de ajudar na eleição do atual prefeito, além de cumprir compromisso político fechado com o deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) para enfrentar o PMDB do então candidato Edson Giroto.
Antonio João ressaltou que considerou equivocado esse apoio e apontou a falta de capacidade de Bernal até para montar o seu secretariado. “Gente séria não quer ir pra lá”, afirmou, destacando a nomeação de vários secretários caloteiros, corruptos e processados por outros crimes.
O dirigente do PSD afirmou que nem a nomeação do professor Pedro Chaves na Secretaria de Governo e Relações Institucionais ajudou Bernal. “Os dois não tiveram competência para substituir secretário corrupto (Gustavo Freire, da Receita), como também os caloteiros”, criticou. Segundo Antonio João, “tem muita gente competente em Campo Grande e Pedro Chaves sabe muito bem disto. Só que gente séria não quer ir trabalhar lá (na prefeitura)”. Para Antonio João, Chaves não se esforçou para melhorar Campo Grande e nem deu sinais aos vereadores de recuperação da administração municipal.
Delcídio, porém, ainda tem esperança em Bernal para tirar a administração do imobilismo com apoio do PT e de outros partidos. “Alcides (prefeito) precisava de chacoalhada e acho que ele já entendeu (o recado)”, afirmou. Ele está convencido de que, se não fosse o descaso de Bernal com os políticos, a cidade não estaria parada. “Prefeito de Campo Grande vira farol da política de Mato Grosso do Sul e Bernal não viu isto”, observou Delcídio. Ele disse que prefeitos do interior do Estado são mais articulados, fazem política, conversam com parlamentares em Brasília em busca de recursos, enquanto “Alcides está demorando demais para fazer política”. Para Delcídio, “Bernal é zero de política e, sem política, você não governa”.
A esperança do senador é a presença do seu suplente Pedro Chaves na coordenação política de Bernal. Hoje, observou Delcídio, “a cidade está muito aquém do que pode ser viabilizado” para retomar o desenvolvimento. Mas Antonio João não tem a mesma visão do senador. Ele acha que Bernal não tem jeito e Campo Grande está parada há um ano.