Sem novidades para defender-se das denúncias de fabricação de contrato emergencial, o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), convocou coletiva de imprensa na tarde de ontem para negar que os contratos sem processo licitatório trouxeram economicidade à cidade em relação a gestão passada. Absolutamente nenhum argumento utilizado para provar inocência foi novo e o próprio chefe do Executivo admitiu que a mesma explicação foi usada na época da CPI do Calote. O único fato menos velho foi um áudio que Bernal fez questão de colocar para todos ouvirem onde um dos denunciantes, Raimundo Nonato, supostamente aparece fazendo negociação. A gravação, porém, já foi veiculada e explorada no dia 17 de novembro, mais de um mês atrás.
Essa mesma defesa foi protocolada na Câmara Municipal pelo advogado do denunciado, Jesus de Oliveira Sobrinho, ao mesmo tempo em que a coletiva ocorria. Este era o prazo final para que o prefeito se denfedesse por escrito das acusações, já que nas quatro vezes em que foi convocado para prestar depoimento à comissão, não compareceu alegando inúmeros motivos. “Não fui prestar depoimentos porque essa processante é uma fraude. O Nonato pegou um calhamaço de documentos e em poucos dias apresentou a denuncia sendo que técnicos especializados demorariam dias para fazer isso”, afirmou.
Para ele, o presidente da CP, vereador Edil Alburque (PMDB), que na administração passada ocupava o cargo de vice-prefeito, armou golpe político no final do ano passado, após eleição, para poder cassar seu mandato. Isso porque, segundo Bernal, o peemedebista assinou renovação de contrato com a Total, empresa responsável por limpar postos de saúde até janeiro desse ano, que passava de R$ 7 milhões para R$ 11,8 milhões. “Isso é uma demonstração clara”, afirmou.
O prefeito acretida, ainda, que seu vice, com quem não tem mais contato segundo ele, também está interessado na cassação de mandato para poder assumir a prefeitura. E o medo de que a CP possa cassá-lo transparece.“Campo Grande corre o risco de virar o ano com um golpe político”.