Política

Mensaleiro

Pedro Henry tem pedido de trabalho negado

Pedro Henry tem pedido de trabalho negado

Redação

23/01/2014 - 00h00
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A Justiça de Mato Grosso negou todos os novos pedidos de liberação para trabalho e estudo feitos pela defesa do ex-deputado Pedro Henry (PP-MT). Primeiro condenado do mensalão autorizado a trabalhar fora da cadeia, Henry poderia, com as novas ocupações, reduzir em mais da metade o tempo que passaria efetivamente preso, a cada semana. O ex-deputado foi condenado a sete anos e dois meses em regime semiaberto por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

"É clara a intenção do recuperando em apenas se manter afastado do estabelecimento penitenciário", avaliou o juiz Geraldo Fidelis, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, em decisão.

Desde o dia 9 de janeiro, ele cumpre expediente como diretor administrativo do Hospital Santa Rosa, o maior da rede privada de Cuiabá. O salário é de R$ 7.500 mensais.

Nos dias úteis, sai da cadeia às 6h e só volta às 19h. Aos sábados, trabalha das 6h às 14h. Nos domingos e feriados, fica preso o dia todo.

Em um dos pedidos negados pela Justiça, Henry, que é médico legista, buscou aval para assumir um cargo no IML (Instituto Médico Legal) do Estado.

Na instituição, trabalharia apenas aos domingos, em um regime de plantão de 24 horas: das 7h até às 7h de segunda-feira, sem intervalo para retorno à prisão.

Outro requerimento mencionava que o ex-deputado, aprovado no vestibular de uma faculdade particular, pretendia cursar fisioterapia de segunda a sexta-feira, das 19h às 22h30.

Henry pediu, ainda, para deixar a cadeia nas tardes de sábado para frequentar uma especialização em medicina hiperbárica.

"Burlar a pena"
Em parecer à Justiça, o Ministério Público qualificou as demandas do ex-deputado como uma tentativa de "burlar a própria execução da pena".

"[Tornaria] o presídio um local somente de apoio noturno, sem o necessário momento de reflexão que toda e qualquer pena deve impor aos condenados sobre os seus atos", afirmou.

O juiz também questionou a real motivação de Henry em cursar fisioterapia. "Não fosse esse o motivo [se manter afastado da prisão], com certeza, o médico penitente já o teria cursado há tempos."

Para o juiz, "a sociedade tem o direito de ver resguardada, e garantida, a ordem pública". "É de conhecimento de todos que o senhor Pedro Henry Neto iniciou o cumprimento de sua pena no regime semiaberto há pouco mais de um mês [...] não se trata de progressão de regime e sim início do cumprimento do semiaberto."

A reportagem tentou, sem sucesso, contato com o advogado Décio Arantes, que representa o ex-deputado.

Em entrevista concedida anteontem, Arantes disse que seu cliente não pediu "nada que não esteja previsto na legislação. "E, para ele, não é novidade ter que trabalhar e estudar. É o que ele fez a vida inteira", declarou. 

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