Fundador e sócio-diretor do Vox Populi, instituto que faz pesquisas para o PT, João Francisco Meira fez ontem (24) uma análise que contraria os defensores de uma nova candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, este ano.
Em debate do qual participaram pesquisadores dos maiores institutos do país, Meira afirmou que o aval de Lula à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) ainda é relevante, mas que "nem de longe" se assemelha ao impacto que teve quando o ex-presidente a lançou, em 2010. Instado a falar sobre a influência de Lula nas eleições, Meira foi taxativo: "nesta eleição, é o mandato dela que funciona como referência fundamental". Por isso, avalia que "a substituição dela (Dilma) pelo Lula de maneira nenhuma asseguraria a continuidade do PT no poder".
Meira pontuou que, segundo os levantamentos feitos, a popularidade de Lula passou "praticamente incólume" pelas manifestações de junho do ano passado, que derrubaram as avaliações de governantes em todo o país, inclusive da presidente. "Continuar a ter o aval dessa personalidade [Lula] é uma sinalização poderosa. Mas o fator reconhecimento e avaliação do governo é tão importante para o eleitor, que uma substituição seria desastrada.
A própria candidatura Lula não teria ''resultados assegurados", avaliou.
Mauro Paulino, diretor-geral do instituto Datafolha, ressaltou a "probabilidade" de que "algo parecido" com os protestos de junho do ano passado volte a acontecer. Segundo ele, as reivindicações dos manifestantes, em sua maioria, não foram atendidas. "E a insatisfação com os gastos da Copa existe", concluiu. Paulino ressaltou, no entanto, a reprovação popular aos atos de violência nas manifestações.
Também participaram do debate pesquisadores que estão trabalhando para a oposição. Antônio Lavareda, da MCI, que tem trabalhado para o PSB do governador Eduardo Campos (PE) destacou resultados das últimas pesquisas que apontam para um sentimento de "mudança" em cerca de 60% dos eleitores. "Desde 2002, quando se mede o desejo de mudança ou continuidade, a percepção da oferta tem se ajustado á demanda."
Ricardo Guedes, do instituto Sensus, que tem feito pesquisas para o PSDB, partido que apresenta o senador Aécio Neves para as eleições presidenciais, disse que, apesar do favoritismo de Dilma registrado nas pesquisas de hoje, "as eleições estão indefinidas". Ele afirma que, em um recorte nas pesquisas entre os eleitores que conhecem bem os principais candidatos, a presidente perde muitos pontos. "Entre aqueles que a conhecem, a Dilma fica entre 30% e 34%, Aécio tem 22% ou 23% e a Marina tem menos votos".
Ele disse ainda que a união de Campos à ex-senadora Marina Silva pode não ter sido uma boa jogada. "Somaram as rejeições", avaliou.