Estudantes venezuelanos serão recebidos nesta quinta-feira (8) por integrantes da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para discutir a situação política na Venezuela. Gabriel Lugo, de 23 anos, Vicente Darago, de 19, e Eusébio Costa, de 22, estiveram no Senado nesta quarta-feira (7) para denunciar a violência usada pelo governo venezuelano contra manifestações populares no país.
Os jovens foram recebidos pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e depois defendidos, em Plenário, por senadores que pediram ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, proteção em sua volta para casa.
- Eles denunciam que do nosso país são enviadas armas, armas fabricadas no Brasil, que estão sendo vendidas à Venezuela e utilizada na repressão às manifestações populares naquele país – informou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
Alvaro Dias pediu ao ministro que acione a Embaixada do Brasil na Venezuela para receber os três estudantes já no aeroporto de Caracas, no próximo sábado (10), quando eles retornam a seu país. Segundo o senador, por terem vindo ao Brasil denunciar os abusos do governo venezuelano, eles estão sujeitos tanto ao risco de violência, como ao de serem presos ilegalmente, assim que chegarem em casa.
- O governo brasileiro tem a obrigação de estender a mão ao povo venezuelano nesta hora tão difícil – cobrou o senador Eduardo Amorim (PSC-SE), acrescentando que os estudantes vieram ao Brasil em uma atitude de desespero, na tentativa de evitar mais mortes em seu país.
Ao receber os estudantes, mais cedo, Renan Calheiros, que já fez parte do movimento estudantil, disse que o Senado está comprometido em cooperar com o que for preciso.
- Nenhum país amigo poderá restringir o espaço a democracia e direitos humanos. O Senado ficará à disposição para colaborar com tudo que for necessário para que os jovens venezuelanos tenham os direitos garantidos - afirmou o presidente.
Em Plenário, o senador Magno Malta (PR-ES) também cobrou da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) que ouça os relatos dos três jovens. Eles contaram aos parlamentares que mais de 250 mil pessoas morreram nos últimos 12 anos e que o país enfrenta hoje repressão e escassez de alimentos.
- O que faremos? Tiramos uma foto com eles e não fazemos nada? – questionou.
Como integrantes da CDH, ele e o senador Paulo Paim (PT-RS) devem se reunir com os jovens na manhã desta quinta-feira.
Outro lado
Para o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), porém, é preciso cuidado ao tratar da questão da Venezuela. O senador frisou que o atual governo do país foi eleito de forma democrática e, inclusive, já teria sido vítima de uma tentativa de golpe, apoiada pelos Estados Unidos.
- Quero só fazer o registro de que alguns golpistas já vieram aqui fazer onda na Comissão de Relações Exteriores. É bom a gente ter dimensão do que acontece realmente na Venezuela – afirmou.