Os presidentes dos diretórios regionais do PMDB de Minas Gerais e de São Paulo formalizaram hoje o apoio à permanência do vice-presidente Michel Temer na chapa encabeçada pela presidente Dilma Rousseff para tentar a reeleição ao Palácio do Planalto.
Para Temer, a sinalização dos dois Estados pode impulsionar outras unidades da federação a também apoiar a candidatura de Dilma. A presidente enfrenta algumas rejeições de quadros importantes do partido, que cobram da cúpula nacional um possível apoio à candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG).
"O simples fato de Minas Gerais e de São Paulo já terem entregue a totalidade dos delegados é um indicativo, pelo o que eu tenho observado, de que os outros Estados virão para a convenção para apoiar a nossa chapa. Mesmo aqueles que divergem dizem que irão para votar em mim como candidato à vice na chapa. Então, isso é uma coisa que nós vamos construindo pouco a pouco", afirmou Temer.
Em um ato realizado no gabinete da liderança do partido na Câmara, o presidente do diretório de Minas, o deputado Antonio Andrade, apresentou o documento em que todos os integrantes da cúpula do partido no Estado assinaram o apoio à chapa PT-PMDB para disputar a Presidência.
"Estamos 100% com Dilma e Temer. Depois de discutirmos bastante chegamos à conclusão de que a força e a unidade do PMDB estão na democracia. Entendemos que a melhor estratégia é a presença do Michel na chapa para vice-presidente. Acreditamos na eleição de Dilma", afirmou Andrade.
Do mesmo modo, o diretório de São Paulo também assinou integralmente a carta de apoio à Temer. O presidente do partido no Estado, o deputado estadual Baleia Rossi, também esteve na Câmara para apresentar o apoio da legenda à Temer. "O senhor representa a unidade do PMDB", afirmou.
Temer afirmou esperar que com o gesto de hoje os outros Estados apresentem seus apoios até a convenção nacional do partido, que acontecerá em 10 de junho. "Essa unidade de Minas e São Paulo poderia se espalhar para outros Estados porque é a unidade nos Estados que dá a unidade nacional", afirmou,
De acordo com os dois presidentes regionais, apesar de algumas divergências, todos os integrantes das cúpulas partidárias nos Estados assinaram o apoio. Crítico à gestão de Dilma, o deputado Leonardo Quintão (MG) afirmou que assinou o documento como forma de apoiar Temer.
Questionado se a queda nas avaliações do governo de Dilma registrado nas últimas pesquisas e os conflitos que a presidente teve com partidos da base aliada na Câmara, liderados pelo líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), poderiam atrapalhar a decisão do partido em apoiar o PT na eleição nacional, Temer afirmou que não vê ameaças nesse sentido.
"Primeiro ela está bem nas pesquisas. Em segundo lugar, a presidente Dilma trata a base com muita adequação. É claro que há conflitos. É natural em todos os partidos. Há observações mas a presidente tem procurado, dentro da coalização, fazer um certo equilíbrio com os partidos aliados", disse.
A executiva nacional do PMDB e suas bancadas na Câmara e no Senado se reúnem hoje a tarde em Brasília para discutir as alianças nos Estados. Segundo Temer, nenhuma decisão deve ser tomada hoje.