Política

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Sócio da Labogen nega-se a responder a perguntas

Sócio da Labogen nega-se a responder a perguntas

Redação

02/07/2014 - 14h30
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Depois de mais uma hora de depoimento prestado por um dos sócios do laboratório Labogen, Leonardo Meirelles, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados conseguiu pouca informação do outro sócio da empresa, Esdras Ferreira. Orientado pelo mesmo advogado que acompanhou a oitiva de Meirelles, Esdras apenas confirmou seu nome e formação profissional.

“Segundo grau técnico em administração de empresa e faculdade incompleta”, disse Esdras, complementando que não tem formação em farmoquímica, área de atividade da Labogen. Ele negou ter participado de reuniões e negociações da empresa em Brasília.

Esdras Ferreira foi convocado como testemunha em processo que o Conselho de Ética da Câmara move contra o deputado André Vargas (sem partido-PR) por quebra de decoro parlamentar.

Logo depois de confirmar seu nome e formação profissional, Esdras recebeu uma ordem clara do advogado Haroldo César Nazer: “não responda a mais nenhuma pergunta”. O relator do processo, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), ainda tentou avançar com algumas perguntas, mas não teve qualquer sucesso.

Delgado destacou que houve “uma luta muito grande" para trazer as testemunhas arroladas pela relatoria. "A gente não pode convocar. Convidando ou convocando, o depoente tem o direito de fazer o que o senhor Esdras aqui fez e se manifestar no sentido de não responder para contribuir como testemunha no processo. Seu silêncio contribui muito com o processo”, completou o deputado.

O deputado Izalci (PSDB-DF) ainda tentou provocar a testemunha destacando trechos do depoimento de Esdras na Polícia Federal, principalmente a afirmação de que ele era frentista em um posto de gasolina quando foi convidado por Leonardo Meirelles para ser sócio da empresa, que tinha uma dívida de R$ 54 milhões. Esdras Ferreira limitou-se a dizer que não responderia e, depois de mais de dez tentativas do palamentar, negou conhecer o deputado André Vargas.

Delgado afirmou que Esdras é um laranja, mas ressaltou: "tem uma laranja maior ainda aí. Está claro que houve tráfico de influência, e eu quero saber agora de quem, onde e quando." Esdras e Leonardo Meirelles foram as duas últimas testemunhas indicadas pelo relator, já que, por decisão judicial, o doleiro Alberto Youssef não irá depor. "Está claro que eles foram instruídos para defender Vargas", acrescentou o relator.

A partir da próxima semana, o conselho ouve as testemunhas de Vargas, embora ainda não haja um calendário fechado.

Na abertura da reunião de hoje (2), Marcos Rogério (PDT-RO), relator do processo que investiga suspeitas de envolvimento do deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) com o doleiro Alberto Youssef, disse que as testemunhas arroladas no caso de Vargas estão sendo aproveitadas também para o processo de Argôlo, já que o colegiado decidiu reunir as conclusões das duas representações.

O relator informou que ouvirá, no próximo dia 9, o chefe de gabinete de Argôlo, Vanilton Bezerra, e o comerciante de gado na Bahia Júlio Gonçalves de Lima Filho, com quem o deputado trocou mensagens sobre pagamentos. Youssef foi preso durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Aluísio Lundgren, advogado de Argôlo, disse que o deputado está a postos para atender ao colegiado e adiantou que a postura da defesa será a de espera. “Não tem um depósito na conta do deputado. Todas as acusações são improcedentes. O ônus da prova é de quem acusa. Vou aguardar.”

Como Argôlo responde a duas representações por quebra de decoro parlamentar que tramitam apensadas no conselho, Lundgren vai indicar oito testemunhas para cada processo. Segundo o advogado, 12 pessoas já foram indicadas, entre elas o chefe de gabinete do parlamentar e os dois gerentes das contas bancárias de Argôlo. “Ele é mencionado nos processos, mas não tem acusações. Vou abrir o extrato bancário se apresentarem qualquer tipo de comprovante de depósito”, acrescentou o advogado.

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