A partir deste domingo – e nos subsequentes, até o dia 28 de setembro – o Correio do Estado publica as entrevistas com os candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul. Evander Vendramini, do PP, selecionado por ordem de sorteio, é quem inaugura o espaço. Tanto ele quanto os demais candidatos se comprometeram e cumpriram a solicitação do envio das respostas na mesma data, 19 de agosto, evitando, assim, privilégios posteriores. Nesta entrevista, o candidato fala sobre seu programa de governo nas áreas de saúde, educação, economia, entre outras.
CORREIO PERGUNTA – Por que pretende ser governador de Mato Grosso do Sul?
EVANDER VENDRAMINI – Mato Grosso do Sul é um Estado que nasceu com vocação para ser grande. Mas, infelizmente, essa vocação nunca foi bem aproveitada. Temos potenciais naturais, agrícolas e matéria-prima para estimular a industrialização. Ainda assim, não conseguimos alcançar o desenvolvimento duradouro, pois nunca foram implementadas políticas efetivas nesse sentido. Além disso, a população sul-mato-grossense tem uma força que impulsiona o Estado, mas não tem o estímulo necessário por parte do poder público. Apesar da massificada publicidade que tenta convencer a população de que esta vive em um Estado prodigioso, o que se encontra hoje, em Mato Grosso do Sul, é uma realidade totalmente diferente, num Estado profundamente desigual e desequilibrado, marcado por obras faraônicas, malfeitas e superfaturadas, que assombram as cidades, além de péssimos serviços públicos e uma carga tributária massacrante, que impede o desenvolvimento real e torna a população refém de quem detém o poder. Diante desse cenário, entendemos que é preciso oferecer uma nova forma de administrar, na qual as pessoas sejam prioridade e o Estado seja um aliado do desenvolvimento, e não um mero cobrador de impostos. Dessa forma, colocamos nosso nome à disposição, para que a nossa gente possa ser contemplada com tudo o que merece e não fique à mercê de grupos dominantes, cuja única preocupação são seus próprios interesses. A aliança do Partido Progressista é com o povo, e o plano de governo que pretende implementar em Mato Grosso do Sul, nos próximos quatro anos, apresenta propostas e soluções para os problemas vivenciados pelos sul-mato-grossenses, em seu cotidiano, em todas as regiões do Estado.
Pacientes ainda sofrem com falta de vagas em hospitais, tendo que esperar horas por transferências para a Capital, onde as unidades estão constantemente superlotadas. Quais são suas metas de investimentos nessa área?
Tanto eu quanto a nossa candidata a vice, Virginia Magrini, somos do interior do Estado e vivenciamos, cotidianamente, a falta de estrutura na área da saúde. Acreditamos que recursos não faltam, o que falta é a aplicação deles de forma democrática, transparente e voltada para as reais necessidades da população. Nossa meta é aplicar corretamente os recursos, combater a corrupção, criar uma política de descentralização da saúde e de valorização dos profissionais do setor.
Saúde deve ser sempre tratada como investimento e nunca como gasto. Para garantir saúde à população, é preciso mais que obras, é necessário inverter a lógica do apenas construir prédios, para um novo modelo, em que cada centavo dos recursos da saúde seja utilizado com responsabilidade e em ações próximas da população. A chamada ambulancioterapia, muito comum, especialmente nos pequenos municípios, é um dos grandes fatores de superlotação dos hospitais (especialmente os da Capital) e responsável pelo sofrimento dos pacientes, que, em vez de serem tratados próximos a sua residência, são colocados em viaturas e deixados em outras cidades. O PP pretende desestimular essa prática, investindo na descentralização dos serviços de saúde e no melhor aproveitamento dos recursos humanos e estruturais locais. O PP irá levar às cidades sul-mato-grossenses, em parceria com as prefeituras, projetos simples, porém, muito eficientes e humanos, que deram excelentes resultados na Capital, como o Consulta Única e o Fila Zero. A saúde será o fator diferencial na administração progressista em Mato Grosso do Sul, que terá como premissa básica o atendimento às pessoas em primeiro lugar.
Quais suas propostas para a educação, buscando melhorar a qualidade de ensino e criar novas oportunidades no Ensino Superior?
A educação de qualidade é a base para o desenvolvimento da sociedade, que contribui para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Assim como fez Alcides Bernal em Campo Grande, quando em menos de um ano aumentou duas vezes o salário dos professores, em nossa administração, vamos valorizar os profissionais da educação, de maneira a garantir que tenham estímulo para desempenhar seu importante papel em nossa sociedade. Em relação ao Ensino Superior, é preciso levar para os municípios cursos que atendam à vocação de cada região e que façam com que os profissionais fiquem em suas cidades de origem.
Como pretende fomentar a industrialização do Estado, aliando também a qualificação da mão de obra? Planeja alguma política de incentivo?
Preso aos mandos e desmandos de grupos políticos e econômicos que estão no poder há muitos anos, o Estado de Mato Grosso do Sul não consegue desenvolver-se efetivamente e, consequentemente, não consegue atender às necessidades da sua população. É preciso liberdade para crescer. O rompimento definitivo com as velhas oligarquias políticas e econômicas irá moralizar o Estado de Mato Grosso do Sul e livrar a sua população dos velhos ranços e vícios que tanto atrasam o seu crescimento humano e estrutural. Antes de pensarmos em incentivos, precisamos oferecer o básico, que é a qualificação profissional, além da garantia de que os municípios tenham estrutura social para que a chegada de novas empresas não se torne um problema no futuro.
A alta carga tributária, principalmente em relação à alíquota de 17% do ICMS sobre o diesel, é considerado um entrave para o desenvolvimento do Estado. Quais mudanças planeja para tornar MS mais competitivo?
A carga tributária entrava o crescimento do Estado, escravizando a classe empresarial, que acaba sendo aterrorizada pelo governo. Assim, queremos implementar uma política de desoneração tributária, com o firme propósito de estimular o desenvolvimento de nosso Estado e promover o progresso dos cidadãos sul-mato-grossenses.
A logística é outro gargalo. Como pretende melhorar rodovias e ferrovias para escoamento da produção?
Mato Grosso do Sul precisa reestruturar a questão da malha viária, recuperando os trilhos, com bitolas adequadas para o transporte de cargas, e incentivar esta modalidade, que possui o custo-benefício muito atraente. Além disso, é fundamental desonerar a carga tributária do combustível, tornando Mato Grosso do Sul mais competitivo e, consequentemente, gerando mais riquezas e aquecendo a economia local. Na administração progressista, vamos implantar políticas de manutenção das rodovias, mantendo, assim, a qualidade, segurança, e reduzindo o desgaste dos caminhões, tão utilizados para o escoamento da nossa produção.
Quais serão suas ações para reduzir a criminalidade no Estado e, também, aprimorar a segurança na região de fronteira?
Ninguém nasce bandido e, para reduzir a criminalidade, é essencial investir em nossas crianças, assegurando seu direito à educação e proporcionando atividades extracurriculares que as mantenham longe das ruas. Além disso, ampliar o investimento do aparato público, no que tange a nossas polícias, garantindo condições dignas de trabalho e valorização dos profissionais. E, em parceria com o governo federal, ampliar a fiscalização e o efetivo em nossas fronteiras, evitando que Mato Grosso do Sul seja conhecida como rota de tráfico.
A Lei da Ficha Limpa é considerada importante instrumento para barrar políticos que cometeram atos de improbidade. Como avalia a eficácia da medida?
Hoje é uma das leis mais democráticas que existem, pois ela nasceu da vontade do povo e expressa a necessidade da moralização em nossa política. Mais que ficha limpa, é preciso administrações limpas, afinal, dinheiro público é dinheiro do povo, portanto, deve ser utilizado com muita responsabilidade. Nem sempre gastar milhões de reais em recursos significa promover o desenvolvimento e a qualidade de vida para as pessoas. O PP no governo do Estado de Mato Grosso do Sul irá reverter essa lógica do gastar e gastar sem medidas, fazendo economia, por meio de obras e serviços mais eficientes, bem como um rigoroso controle dos gastos públicos.
O dinheiro dos sul-mato-grossenses não será mais desperdiçado em obras desnecessárias, de baixa qualidade e que beneficiam apenas os “compadres” de quem está no poder.