Desde o dia 24 de agosto e até 28 de setembro, o Correio do Estado publica as entrevistas com os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul (à exceção de Delcídio do Amaral, que declinou do convite). Evander Vendramini, do PP, abriu a série, seguido de Sidney Mello, do Psol. Hoje é a vez do candidato Nelson Trad Filho, candidato do PMDB. As publicações ocorrem por ordem de sorteio. Tanto ele, quanto os demais candidatos, comprometeram-se e cumpriram a solicitação do envio das respostas na mesma data, 19 de agosto, evitando, assim, privilégios posteriores. Nesta entrevista, o candidato fala sobre seu programa de governo nas áreas da saúde, educação, economia, entre outras.
CORREIO PERGUNTA - Por que pretende ser governador de Mato Grosso do Sul?
NELSON TRAD FILHO -
Porque passei a vida toda me preparando para este momento. Estou pronto para ser o governador de Mato Grosso do Sul. Sou médico, fui vereador por três mandatos, deputado estadual mais votado de MS, prefeito eleito e reeleito com mais de 85% de aprovação popular. Fiz 1.044 obras em Campo Grande, em todas as áreas, melhorando o atendimento à população na área social, construindo escolas de tempo integral, unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento, Ceinfs, além de modernizar toda a infraestrutura urbana do município, que ganhou modernas avenidas, praças e parques. Eu sei como fazer, porque eu fiz na Capital e vou fazer muito mais por todo Mato Grosso do Sul.
Pacientes ainda sofrem com falta de vagas em hospitais, tendo que esperar horas por transferências para a capital, onde as unidades estão constantemente superlotadas. Quais são suas metas de investimentos nessa área?
Precisamos descentralizar o atendimento. Para isso, vamos construir e equipar Hospitais Regionais em Três Lagoas, Dourados e Corumbá, criando grandes centros de referência de atenção especializada no interior, juntamente com a construção de centros de exames ao lado desses hospitais, para dar mais eficiência no atendimento. Também vamos ampliar os hospitais de municípios-polo, como Aquidauana, Campo Grande, Corumbá, Coxim, Dourados, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas, com leitos de UTI e assistência especializada. Instituir um programa permanente de reformas e modernização em unidades de saúde no interior do Estado, além de contratar mais médicos, fazendo convênios com as prefeituras e ampliando a oferta de cursos de medicina nas universidades de Mato Grosso do Sul, também estão entre as nossas propostas para a saúde de Mato Grosso do Sul.
Quais suas propostas para a educação, buscando melhorar a qualidade de ensino e criar novas oportunidades no ensino superior?
Mato Grosso do Sul foi o estado que mais investiu recursos próprios em educação entre 2010 e 2012 entre todos os estados, destinando 35,48% de seu orçamento para a área, de acordo com o MEC. Com isso, conseguiu resultados muito positivos, como o primeiro lugar no ranking da frequência escolar elaborado pelo Ipea em 2012. Mas podemos e vamos melhorar. Vamos construir em todo MS as escolas de ensino integral que implantei em Campo Grande, que são referência em todo o País, com metodologia de ensino diferenciada, pelo menos quatro refeições diárias, uniforme e material escolar completo, aulas de dança, música, laboratórios de ciências, informática, bibliotecas, entre outros. Vamos fazer com que os professores trabalhem motivados, com salários valorizados, respeitando o Piso Nacional do Magistério e criando incentivos para a qualificação e atualização profissional dos educadores em Mato Grosso do Sul. Profissionalizar todos os cursos de Ensino Médio da Rede Estadual com habilitações voltadas para o mercado de trabalho também está entre nossas propostas. Com o fortalecimento do ensino de base, a consequência natural será jovens com mais preparo para o ensino superior. Além disso, vamos ampliar o número de alunos beneficiados com o programa Vale Universidade, para que cada vez mais as pessoas possam cursar uma faculdade e concluir o ensino superior.
Como pretende fomentar a industrialização do Estado, aliando também a qualificação da mão de obra? Planeja alguma política de incentivo?
Vamos implantar incentivos fiscais e tributários diferenciados para atrair empresas e indústrias, gerando mais emprego e aumentando a renda da população, além de investir na qualificação profissional, para que as pessoas não tenham que se deslocar até a capital para estudar e se aperfeiçoar profissionalmente. Também está entre nossas metas implantar as Zonas de Processamento de Exportações de Bataguassu, Corumbá e Ponta Porã para impulsionar a agregação de valor às matérias-primas produzidas atualmente no Estado, criar Câmaras de Transparência Tributária para promover a justiça fiscal e otimizar a atuação da Seprotur, desmembrando-a em três secretarias: Secretaria de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Pesca, Secretaria de Indústria, Comércio, Serviços e Comércio Exterior e, por último, Secretaria de Turismo. Vamos criar a Desenvolve MS (Agência de Desenvolvimento Econômico) para atrair investimentos nacionais e estrangeiros, além de oferecer os melhores benefícios do País tendo como base as diretrizes do Zee (Zoneamento Ecológico Econômico).
A alta carga tributária, principalmente em relação à alíquota de 17% do ICMS sobre o diesel, é considerada um entrave para o desenvolvimento do Estado. Quais mudanças planeja para tornar MS mais competitivo?
Quero justamente fazer de Mato Grosso do Sul o Estado mais competitivo do Brasil. Criaremos as Câmaras de Transparência Tributária, compostas por representantes dos setores industriais, de serviços, agronegócio e comércio. Teremos incentivos diferenciados para municípios do interior, extinção gradual da equivalência na exportação da soja e do milho, ampliação da faixa de enquadramento no Simples Nacional, entre outras medidas tributárias. Além disso, capacitaremos mão de obra e vamos oferecer a infraestrutura e logística necessária para o desenvolvimento, incentivando também toda forma de inovação científica e tecnológica.
A logística é outro gargalo. Como pretende melhorar rodovias e ferrovias para escoamento da produção?
Vamos pavimentar e recapear 3 mil quilômetros de rodovias, dando prioridade para regiões produtoras e eixos de escoamento. Iremos acelerar a construção das ferrovias para os portos de Paranaguá e Santos, substituir as pontes de madeira por pontes de concreto com capacidade mínima de 30 toneladas, viabilizar o uso sustentável da hidrovia Paraguai-Paraná e fazer a revitalização dos portos fluviais, para escoar melhor a produção e fazer com que Mato Grosso do Sul seja o estado mais competitivo do Brasil. Entre nossas propostas também está implantar o Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas para viabilizar a expansão da infraestrutura. Outro ponto chave é viabilizar a remodelagem da malha ferroviária, da ALL, para ampliar a capacidade de escoamento do minério vindo do leste do Estado.
Quais serão suas ações para reduzir a criminalidade no Estado e, também, aprimorar a segurança na região de fronteira?
Redução da criminalidade se faz com mais policiais na rua, investimento em equipamentos, viaturas e tecnologia. Mato Grosso do Sul terá uma polícia qualificada, com bons salários, motivada para fazer o seu trabalho da melhor forma possível e proporcionar segurança para a população. Para isso, vamos estar sempre atentos para as demandas, realizando concursos públicos para contratar mais policiais, promovendo a autonomia administrativa e financeira dos policiais militares e investindo, como eu já disse, na aquisição de viaturas, equipamentos e em tecnologia. Para a segurança da região de fronteira, vamos fortalecer as ações dos Gabinetes de Gestão Integrada de Fronteira – GGI-F, estabelecendo planos e ações conjuntas com a participação de todas as instituições de segurança pública em todos os níveis, para promover o bloqueio e a desarticulação das atividades de financiamento, planejamento, distribuição e logística do crime organizado e dos crimes transnacionais, é uma de nossas propostas. Também vamos investir no aperfeiçoamento das atividades de investigação criminal qualificada e inteligência policial, para desarticular os crimes antes que aconteçam e tornar a fiscalização mais eficiente.
A Lei da Ficha Limpa é considerada importante instrumento para barrar políticos que cometeram atos de improbidade. Como avalia a eficácia da medida?
A implantação da Lei da Ficha Limpa foi muito positiva. Além de inibir a prática de ações ilícitas e tornar a nossa legislação mais severa com quem pratica a corrupção, o que a gente observa é que muitos políticos que cometeram atos de improbidade não estão mais conseguindo se lançar como candidatos. É mais um filtro na busca de se selecionar candidatos sérios e éticos, o que, no meu entendimento, é um dever de quem está na política.