Política

EX-DIRETOR DA PETROBRAS

Costa diz em delação premiada que recebeu propina de R$ 1,5 milhão

Esquema envolveu compra de refinaria pela Petrobras nos EUA, relatou

Redação

19/09/2014 - 08h28

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contou a investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público que recebeu R$ 1,5 milhão de propina de um esquema de corrupção relacionado à compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, nos EUA, informou nesta quinta-feira (18) o Jornal Nacional. A primeira fase dos depoimentos de Costa a policiais federais e procuradores com base em um acordo de delação premiada terminou na semana passada. Paulo Roberto Costa decidiu colaborar com as investigações na expectativa de obter redução da pena.

Convocado para depor, ele compareceu nesta quarta-feira (17) à CPI mista do Congresso que apura irregularidades na Petrobras, mas se manteve calado e não respondeu a nenhuma das perguntas dos parlamentares. Costa foi preso pela Polícia Federal em março, durante a Operação Lava Jato, da PF, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os interrogatórios do ex-diretor da Petrobras começaram  em 29 de agosto, na Superintendência da Polícia Federal no Paraná, onde ele está preso. As revelações foram feitas a um delegado, a um procurador e a um escrivão. A defesa acompanhou tudo. Os depoimentos foram gravados em vídeo, anotados e criptografados (transformados em códigos para evitar a leitura por pessoas de fora da investigação). O material foi guardado em um cofre.

Segundo a revista "Veja", Costa delatou deputados, senadores, governadores e um ministro como beneficiários do suposto esquema de propina na Petrobras. A decisão sobre a parte dos depoimentos que envolve políticos caberá ao Supremo Tribunal Federal. O relator do caso é o ministro Teori Zavascki. Ele poderá decidir ouvir Paulo Roberto Costa, na presença do advogado e poderá recusar ou fazer adequações à proposta de delação premiada. Para ter a pena reduzida, Costa terá de comprovar as acusações, revelando os participantes da organização criminosa e ajudando a recuperar o dinheiro desviado. Ainda não se sabe quando a Justiça vai homologar o acordo de delação premiada.

Segundo o advogado Pierpaolo Bottini, professor-doutor de direito da Universidade de São Paulo (USP), a redução de pena depende dos detalhes e provas que Paulo Roberto Costa conseguir demonstrar. "Quanto mais informações ele trouxer, mais benefícios ele vai ter. Quanto mais ele conseguir comprovar as declarações no sentido de apontar outros autores, no sentido demonstrar como essa organização funciona, ou colaborando para recuperar esse dinheiro e esses bens desviados, quanto mais ele conseguir demonstrar isso, maiores benefícios ele terá", afirmou.

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