Recordo que fui apresentado, há vários anos, à irmã Silvia, do Hospital São Julião, na Abadia Cisterciense, localizada na Avenida Eduardo Elias Zahran, em frente à Avenida Bom Pastor. Depois ela me ofereceu um livro intitulado Diálogos com o silêncio, do monge trapista Thomas Merton, um dos grandes espiritualistas do século XX. Ficamos amigos para sempre. A irmã Silvia sempre demonstrou um grande apreço pelas monjas de Cister.
O que me chama a atenção é que muitos amigos desta cidade nunca ouviram falar na abadia Nossa Senhora Aparecida, cujas monjas trabalham em silêncio desde o final dos anos 70. Vieram da Alemanha, com parada provisória em uma abadia cistenciense localizada no interior de São Paulo. A Madre Mena Grauper e quatro companheiras, todas da Ordem das Irmãs Contemplativas, chegaram com objetivo de fundar uma casa de oração, um mosteiro e uma creche. Os primeiros tempos foram difíceis, não obstante o apoio de uma senhora da sociedade local, Dona Nilda de Almeida Coelho, a qual, em 21 de fevereiro de 1976, inaugurou o abrigo infantil, com a presença de autoridades locais, inclusive o arcebispo Dom Antônio Barbosa.
O mosteiro foi construído com ajuda da Alemanha em um terreno contíguo à creche, que foi doado pela referida senhora. Cerimônias solenes ocorreram durante a inauguração, em 25 de maio de 1979, dois anos depois da divisão do Estado de Mato Grosso. Trata-se de um instituto religioso de vida contemplativa, o qual em 1985 se transformou de priorado simples em priorado conventual Sui Júris independente da casa- mãe. Está agregada à Congregação Brasileira dos Cistercienses.
Os cistercienses têm sua origem associada ao nome de Roberto de Molesme (1027-1110), o qual com alguns companheiros eremitas abandonou a comunidade de Molesme na Burgúndia e estabeleceu em 1098 um novo monastério em Citeaux, na França. O propósito, segundo o historiador Brenda Bolton, seria criar um espaço religioso novo, extremamente vinculado à observação da regra de São Bento, o que teria ocorrido. Em 1112 essa pequena comunidade acolheu Bernardo de Claraval (1090-1153) com 29 companheiros todos decididos a se concentrar em uma imitação evangélica da vida de Cristo.
Também as irmãs que chegaram a Campo Grande na segunda metade do século XX continuam lutando para melhor desenvolver a sua missão caritativa e religiosa. Elas levam a vida de sacrifício e muito trabalho. Atualmente, depois do falecimento da primeira abadessa, assumiu a liderança a encantadora madre Benigna, já nascida no Brasil, que vem fazendo um trabalho extraordinário, envolvendo toda a comunidade. Existe no local também uma hospedaria para retiros aberta ao público que também contribui como fonte de receita. É claro que o monastério aceita também doações.
Lembro, em São Paulo, quando o colégio do mosteiro de São Bento estava passando por dificuldades. O Dr. Antônio Ermínio de Moraes (do Grupo Votorantim) falecido recentemente, Lázaro Brandão (Bradesco) e José Safra (do Banco Safra) fizeram uma doação de quase três milhões. O que chamou a minha atenção foi o fato de que o Dr. Safra era de família judia e não me consta que tenha sido convertido ao cristianismo. Tudo o que é bom deve continuar.