Política

FRACASSO NAS URNAS

Para PT, denúncias de corrupção na Petrobras derrubaram Delcídio

Cúpula do partido chegou a esta conclusão na reunião de avaliação da derrota eleitoral

Redação

29/10/2014 - 13h30

Após a derrota sofrida nas urnas pelo candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, senador Delcídio do Amaral, a cúpula do PT reuniu-se para debater as falhas ocorridas na campanha eleitoral.

Segundo o dirigente da sigla, Paulo Duarte, o fracasso nas urnas ocorreu, principalmente, pela suposta relação de Delcídio com as denúncias de corrupção na Petrobras. 

De acordo com Duarte, a estratégia do PSDB em nível nacional e estadual de colocar o PT como o responsável pelos desvios de dinheiro público no País surtiu efeito no Estado, que, por sua vez, terá a partir de janeiro de 2015 o tucano e deputado federal Reinaldo Azambuja como governador .

“A campanha foi de ataques e poucas propostas. O PSDB só atacou, agrediu o PT. Ficou o tempo todo ligando o PT como o responsável pela corrupção”, disse Duarte, que, em seguida, comentou ter havido a mesma situação em nível nacional. “A tônica dessa campanha foi de ataques, mas essa estratégia do PSDB só deu certo aqui no Estado”, comentou o petista, em referência à vitória da presidente Dilma Rousseff contra o adversário tucano Aécio Neves. 

Agora, diante do abatimento partidário com o fracasso eleitoral, o presidente da legenda afirmou que será convocada uma reunião com toda a Executiva do PT para definir uma plenária em que serão discutidas as falhas desta campanha e o novo rumo do partido. O grande encontro deve ser realizado na próxima semana.

Relação com Azambuja
Quanto à relação da bancada estadual e federal do PT com o governador eleito, Duarte não demonstrou muita vontade em firmar parceria. Descontente com o fato de Azambuja ter chamado de “facção” seu partido, o petista declarou que precisará haver humildade do tucano para o pacto ser firmado. “Ele tem que descer do salto, ser mais humilde”, destacou o petista, ao demonstrar ressentimento com as declarações dadas pelo tucano no discurso de vitória.

“Foi muito ruim a primeira declaração dele, de chamar o PT de facção. Até porque 44% da população votou no Delcídio”, comentou o dirigente do PT.  Sobre o relacionamento da bancada federal com o próximo chefe do Executivo, Duarte disse que, para haver parceria, Reinaldo terá que “sair do palanque”. “Ele não vai conseguir governar sem o apoio do governo federal. Então, primeiramente vamos observar qual Reinaldo ele vai ser, qual vai ser atitude dele no governo”.

Quanto à postura dos deputados estaduais, Amarildo Cruz, Cabo Almi, João Grandão e Pedro Kemp na Assembleia Legislativa, o presidente da legenda assegurou que eles farão oposição à administração tucana por “coerência”. “Os quatro deputados da Assembleia Legislativa estarão lá defendendo as bandeiras da coligação, fazendo parte da oposição. Até porque as propostas defendidas pelo PT são diferentes. Então, seria incoerente não ser oposição”,  explicou o petista.

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