Sem espaço para os aliados de primeira hora, a estrutura administrativa do governador eleito Reinaldo Azambuja (PSDB) caminha para transformar-se em um “tucanato”, avalia o presidente regional do PSD, ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues. Azambuja, que havia prometido reunir dirigentes de partidos aliados para tratar da composição do secretariado, convocou-os somente no último domingo, depois que a reforma estrutural já estava concluída, e faltando menos de uma semana para o anúncio de sua equipe, marcado para o dia 20.
Os cinco secretários confirmados são todos tucanos, ou da cota pessoal do futuro governador. “A impressão que passa é que o governo dele será um verdadeiro tucanato e mais ninguém. Só temos visto gente do partido e da cota pessoal dele”, comenta Antonio João.
Uma das críticas é a falta de diálogo na condução do novo governo. Primeiro, até mesmo adversários diretos nas eleições, como o PMDB e o PDT, foram chamados para apresentar suas sugestões. Mas PSD e DEM, da chapa de Azambuja, foram contemplados com o direito de indicar os componentes da equipe de transição. E só.
“Já temos aliados participando da formação do primeiro e do segundo escalão do nosso governo”, justificou Azambuja em nota à imprensa, após a reunião. “A tônica das conversas com eles (os dirigentes) é o que sempre tenho dito: os cargos não serão políticos, as indicações serão técnicas”, continuou o tucano. Em resumo, Azambuja fechou as portas para que seus apoiadores contribuam com o início de seu governo, e avisou que não aceitará indicações.
A reportagem, de Zana Zaidan, está na edição de hoje (16) do jornal Correio do Estado.