O deputado Júnior Mochi (PMDB) não tem apoio do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para presidir a Assembleia Legislativa. Ele disse a algumas lideranças políticas não ter “nada contra” Mochi, mas a sua preferência é pela pré-candidatura do deputado Zé Teixeira (DEM) por ser aliado de “primeira hora” nas últimas eleições. Mas também lembrou dois deputados de seu partido, o PSDB, Onevan de Matos e Flávio Kayatt, em condições de dirigir o Legislativo.
Para evitar o confronto, Azambuja defendeu o entendimento em torno de um candidato. Mas, se depender dele, Teixeira será o sucessor do deputado Jerson Domingos (PMDB), que presidiu a Assembleia Legislativa por oito anos consecutivos.
O fato é que o apoio de Azambuja a Teixeira poderá enfraquecer as articulações de Mochi, que saiu na frente com a manifestação de respaldo de nove deputados. Nem a proposta de recusar cargos de primeiro escalão no governo em troca da presidência da Assembleia surtiu efeito em favor de Mochi.
O pré-candidato peemedebista conversou longamente com Azambuja sobre o processo sucessório na Assembleia. Ele mostrou ao governador a unidade da bancada do PMDB para apoiá-lo e integrar a base aliada, independentemente do compromisso da eleição da Mesa Diretora. Azambuja ouviu atentamente e disse que apoiaria o nome do consenso de todos os partidos.
Mochi entrou na disputa pela presidência do Legislativo com apoio do governador André Puccinelli (PMDB). Toda a movimentação vinha sendo feita justamente para reunir o consenso. André estava pessoalmente empenhado em ajudá-lo nas reuniões com deputados reeleitos e eleitos.
O grande interesse de André é assegurar ao partido, pelo menos, o comando de um Poder depois da derrota eleitoral para governador e Prefeitura de Campo Grande. Mas a estratégia pode se frustrar se Mochi não conseguir reunir apoio de todos os deputados eleitos pelos partidos da coligação de Nelsinho Trad (PMDB), do senador Delcídio do Amaral (PT) e de outros candidatos a governador.
Antes da posse, Azambuja apenas acompanhou as articulações à distância e evitou se envolver diretamente na disputa. Apenas ouvia os pré-candidatos e líderes políticos sobre o processo sucessório. O que fez agora foi manifestar às lideranças políticas o seu apoio a Zé Teixeira. Ele prometeu até “pescar” votos para ajudar o amigo-aliado a conquistar a presidência da Assembleia Legislativa.