O desespero tomou conta do PT de Mato Grosso do Sul. O partido teme que as investigações do esquema de corrupção da Petrobras reflitam negativamente nas eleições municipais de 2016. Lideranças concordam que os citados nos pedidos de inquérito da Procuradoria-geral da República, como o deputado federal do Estado, Vander Loubet (PT), prejudiquem ainda mais a imagem do partido perante o eleitorado. O temor, neste caso, é de que não haja tempo hábil para reverter o que, internamente, é tratado como “corrente anti-petismo” e isso atrapalhe o projeto da legenda de emplacar candidatos nas principais cidades.
Na Assembleia Legislativa, a bancada do partido não esconde a apreensão. Dos quatro deputados, três (Pedro Kemp, Amarildo Cruz e Cabo Almi) declaram abertamente a intenção de disputar a Prefeitura de Campo Grande. “É inevitável [que as denúncias contra o PT] atinjam o partido como um todo. Será uma eleição difícil”, admitiu Kemp, sobre esta onda de rejeição ao PT.
Cabo Almi, por sua vez, revela que assim como Dilma e o ex-presidente Lula têm adotado uma série de medidas para limpar a imagem do partido no Brasil, no Estado petista também organizam força tarefa para aumentar a receptividade do eleitor.
“Vamos abrir diretórios em municípios que hoje estão descobertos, para estreitar a relação com a população dessas cidades, e fazer uma reaproximação com a militância”, conta o deputado.
Para Kemp, cada candidato terá de trabalhar individualmente. “Teremos que convencer o eleitor de que o político é uma coisa, partido é outra, e que não se pode generalizar”, opina sobre a limpeza de imagem.
Esta é uma estratégia que exigirá tato para ser bem-sucedida. Tentar se descolar do partido foi justamente um dos erros que teria levado o senador Delcídio do Amaral (PT) a perder a eleição ao governo para Reinaldo Azambuja (PSDB) em 2014, na avaliação feita pelo deputado federal ex-governador Zeca do PT após o pleito.
Além da tensão com as denúncias de corrupção e a “corrente anti-PT”, no Estado há o agravante de que grupos internos, com metas e objetivos distintos, enfraquecem ainda mais o partido. A palavra de ordem, segundo o presidente regional da legenda, Paulo Duarte, é “união”. Ele se encarregou pessoalmente de conversar com Delcídio e Zeca, líderes destas duas correntes, para tentar conseguir que eles “falem a mesma língua”, revelou o dirigente.