Política

DF

Deputada é suspeita de aplicar golpe no Banco do Brasil

Prejuízo pode chegar a R$ 100 milhões e 32 pessoas são alvo de investigação

Redação

01/05/2015 - 07h00
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Uma deputada distrital, um ex-diretor da autarquia responsável pelo transporte público do Distrito Federal e pelo menos dois servidores do Banco do Brasil estão entre os 32 suspeitos de integrar um esquema criminoso que aplicou um golpe milionário no banco público. Segundo o delegado da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, Jefferson Lisboa, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 100 milhões.

Trinta e duas pessoas investigadas foram conduzidas para prestar depoimento durante a primeira fase da Operação Trick, deflagrada na manhã desta quinta-feira. Entre os investigados estão a deputada distrital Telma Rufino (PPL) – que, por ter mandato parlamentar, não pôde ser conduzida para depor – e o ex-diretor do DFTrans e atual presidente do PPL, Marco Antônio Campanella. De acordo com o delegado, Rufino e Campanella são, junto com o gerente de uma agência do Banco do Brasil alvo do esquema, “os principais líderes da organização criminosa”.

“Ficou demonstrado que eles [Rufino e Campanella] tinham uma empresa real para possível lavagem do dinheiro e eram os mentores do esquema. Criavam empresas fantasmas, com as quais entravam em contato com o gerente do banco – também ele considerado um dos chefes do esquema – e conseguiam o dinheiro [emprestado]”, disse Lisboa durante entrevista à imprensa. O gerente do banco, cujo nome não foi divulgado, era responsável por liberar o dinheiro solicitado, independentemente da inconsistência dos documentos apresentados.

A polícia vinha investigando o esquema desde 2013. De acordo com o delegado, os mentores do grupo criavam empresas fantasmas para obter empréstimos no Banco do Brasil. Os valores de cada operação variavam entre R$ 800 mil e R$ 1,4 milhão. Depois, para lavar o dinheiro e colocá-lo em circulação, os investigados forjavam compras em outras empresas fantasmas que faziam parte do esquema. Cinquenta e cinco empresas fantasmas e 19 verdadeiras são alvo da investigação.

Como os empréstimos não eram pagos, o prejuízo estimado varia entre R$ 70 e R$ 100 milhões. Com base em informações fornecidas pelo próprio banco, o delegado afirma que esta foi a maior fraude cometida no Distrito Federal contra a instituição bancária. A polícia tenta identificar a participação de cada investigado no esquema e quanto em dinheiro cada um, eventualmente, recebeu.

“Não temos como definir a quantia exata de valores destinados a cada uma das pessoas. A participação de cada envolvido está sendo apurada. A definição disso vai depender da análise dos documentos apreendidos e da quebra do sigilo bancário”, afirmou Lisboa, garantindo estar convencido de que todos os investigados “de uma forma ou outra, eram beneficiados”.

Em nota, a deputada distrital Telma Rufino disse desconhecer o teor do inquérito policial e que, por isso mesmo, só irá se pronunciar sobre o mérito das suspeitas após conhecer o as acusações. Ela afirmou estar à disposição das autoridades e que “em data oportuna e marcada previamente”, comparecerá à sede da Coordenação de Repressão a Crimes contra o Consumidor, a Ordem Tributária e Fraudes da Polícia Civil, onde prestará esclarecimentos.

O Banco do Brasil informou que está colaborando com a Polícia Civil nas investigações. Até a publicação desta matéria, Marco Antônio Campanella e seu advogado não foram localizados pela reportagem.

 

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