Política

"coisa ridícula"

Renan: governo se enfraquece sem pronunciamento de Dilma

Renan: governo se enfraquece sem pronunciamento de Dilma

Redação

01/05/2015 - 06h00

O presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse ontem (30) que a decisão da presidente Dilma Rousseff, de não fazer o tradicional pronunciamento em cadeia de rádio e TV no Dia do Trabalho, enfraquece o governo

“Essa coisa da presidenta da República não poder falar no dia 1°, porque não tem o que dizer, é uma coisa ridícula. Isso enfraquece muito o governo”, destacou.

Renan reuniu os jornalistas e disse que democracia no Brasil foi feita para ouvir a sociedade. “As panelas precisam se manifestar. Todos precisamos ouvir o que as panelas dizem. O que nós não podemos deixar de ter no Brasil é falta de iniciativa, é falta de ter o que dizer.”

O presidente do Senado propôs o que chamou de “pacto em defesa emprego”. Segundo ele, assim como há meta de inflação e de superávit fiscal, o país precisa de meta de emprego. “Poderíamos estimular aqueles setores que criam empregos além da média”, explicou.

De acordo com Renan Calheiros, o pacto seria provisório, "enquanto durasse a recessão e o país retomasse o crescimento".

O senador acrescentou que, durante sessão temática sobre crise e desenvolvimento, na terça-feira (5), pretende discutir e detalhar os pontos do possível pacto. O debate deverá reunir, no plenário do Senado, parlamentares, economistas e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Segundo Renan, na lista de ideias para o pacto estão o estímulo a compras governamentais e o aumento de crédito da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES para empresas que preservarem empregos e criarem novas vagas de trabalho.

“Um outro estímulo, que poderia ser dado como consequência de política industrial aos setores que criarem novas ofertas, era mantê-los criteriosamente com desoneração da folha de pessoal. Qualquer proposta nessa direção será muito bem-vinda.”

Renan Calheiros esclareceu que a proposta de pacto envolveria Executivo e Legislativo, mas não descartou a participação do Judiciário. “O pacto seria dos poderes [Executivo e Legislativo]. Poderíamos incluir o outro poder [Judiciário], mas daríamos uma diretriz para o Brasil. Passaríamos a discutir uma agenda” .

O presidente do Congresso adiantou que, nas próximas semanas, devem entrar em votação no Senado a proposta de regulamentação dos diretos das domésticas e a que trata da arbitragem para desafogar a Justiça. Ele também deve se reunir com governadores, de modo a propor que eles façam pactos regionais em defesa do emprego.

Na segunda-feira (27), o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, informou que a presidente Dilma Rousseff não gravaria um pronunciamento à nação para ser exibido em cadeia nacional de rádio e televisão no Dia do Trabalho. Segundo Edinho Silva, ela dialogará com os trabalhadores e com a sociedade brasileira pelas redes sociais. "É uma forma de valorizarmos outros meios de comunicação.” 

Ontem (29), o ministro reiterou que, às vésperas do Dia do Trabalho, a presidente avalia a melhor forma de se comunicar com a sociedade. De acordo com Edinho Silva, Dilma gravará hoje uma declaração para ser divulgada em diversas mídias da internet, como Facebook e Twitter. Na manhã de sexta-feira (1º), o vídeo e outras plataformas serão disponibilizados aos internautas.

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