Vereadores de Campo Grande avaliaram como “vergonha” e “lástima” que o pagamento dos servidores do município sejam pagos de forma escalonada por faixas salariais. A prefeitura prevê utilizar o mecanismo somente em agosto, porém há risco dele ocorrer novamente em setembro se projeto de lei de recuperação de créditos não for votado nesta semana.
Paulo Pedra (PDT) disse que a medida adotada é uma vergonha e reflete ausência de planejamento na gestão municipal. Até mesmo o líder do Executivo, Edil Albuquerque (PMDB), classificou como “lástima” a alteração no pagamento de salários pagos, há 16 anos, no dia primeiro de cada mês.
A esperança de equilíbrio, para evitar novo escalonamento em setembro, reside na aprovação de projeto de lei que prevê para o mês de agosto a regularização de contribuintes em débito com descontos em juros e multa. O problema é que a proposta só tem até quinta-feira (16) para ser votada, antes do recesso legislativo.
Thaís Helena (PT) relembra que falta de alerta não foi e Eduardo Romero (PTdoB) sugere o corte de serviços não essenciais com alugueis, publicidade e calendário festivo para fazer frente a necessidade de cortes orçados em R$ 10 milhões para equilíbrio das contas.
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal busca respostas sobre o real impacto da crise nos investimentos municipais e, consequentemente, no corte de gratificações e atraso no pagamento de salários. “Tudo isso é ruim para o servidor”, lamenta Magali Picarelli (PMDB).
MAIS TARDE
O pagamento parcelado por faixas salariais foi anunciado, nesta terça-feira (14), pelo secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Controle (Seplanfic), Ivan Jorge.
Cerca de 20 mil servidores que recebem até R$ 3 mil terão o salário depositado no quinto dia útil, tal como prevê a lei trabalhista. Já na faixa de R$ 3 a 5 mil o mesmo ocorre no dia 12 de agosto.
Rendimentos entre R$ 5 e 7 mil serão pagos em 17 de agosto, enquanto os acima de R$ 7 mil ocorrerão em 18 de agosto. Há possibilidade ainda de que os valores somente estejam disponíveis em conta no prazo de 48 horas, devido a trâmites bancários.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande (Sisem), Marcos Tabosa, não houve alternativa senão acordo com a prefeitura diante da crise financeira. Ele ressaltou haver “torcida” para que o mesmo não ocorra em setembro.