O juiz federal Sergio Moro manteve nesta sexta (18) a prisão preventiva do pecuarista José Carlos Bumlai, investigado na Operação Lava Jato e acusado de contrair empréstimos em favor do PT.
A defesa do empresário, denunciado à Justiça na semana passada, argumentou que Bumlai confessou parte dos crimes, e que, por isso, sua soltura não representaria risco à investigação.
O pecuarista, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu que fez um empréstimo de R$ 12 milhões do banco Schahin, em 2004, para repassar o dinheiro aos diretórios do PT em Campinas e em Santo André.
Moro diz ser "louvável" a confissão parcial do acusado, mas argumenta que há indícios do seu envolvimento em outros fatos criminosos.
Ele cita como exemplo as transferências de R$ 2 milhões das empresas de Bumlai à consultoria de Adir Assad (condenado na Lava Jato por lavagem de dinheiro) e os empréstimos "aparentemente injustificados" recebidos pelo empresário do BNDES.
Também estão na lista a realização de saques "não usuais", segundo Moro, de R$ 1,6 milhão em espécie, e a suspeita de tráfico de influência de Bumlai em favor da OSX -conforme relato do lobista Fernando Soares, o Baiano, em sua delação.
"Vários desses fatos demandam investigação aprofundada", escreve Moro. "Entretanto, eles indicam que o envolvimento do acusado em atividades criminais é muito mais amplo do que o aludido episódio do empréstimo."
BLOQUEIO DE CONTAS
O magistrado ainda destaca que o bloqueio das contas bancárias de Bumlai, determinado pela Justiça, demonstrou que havia somente cerca de R$ 4 mil na conta do empresário. Para Moro, esse "resultado pífio" demonstra que há risco à aplicação da lei penal.
"O resultado pífio do bloqueio da conta do acusado, de suas empresas e de associados sugere ação ordenada para esvaziar as contas e frustrar a pretensão de recuperação do produto do crime", escreveu Moro.