Política

Eleições

Celular pode ser arma dos candidatos em tempo de crise

Com proibição de doações de empresas, os políticos recorrerão a selfie e câmera dos telefones

Redação

22/02/2016 - 00h00

A escassez de recursos com a proibição de doações de empresas, nas eleições deste ano, levará os candidatos a usar da criatividade para ganhar visibilidade e da tecnologia de fácil acesso. Como uma produtora custa, em média, R$ 1,5 milhão para edição da propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e TV, os candidatos terão o aparelho celular para produzir o programa a custo pequeno. O selfie (significa autorretrato, uma foto tirada e compartilhada na internet) poderá ser a arma mais barata, bem como o uso de imagem das câmeras incorporadas nos aparelhos.

O candidato poderá sair às ruas gravando suas conversas e propostas de campanha eleitoral. Depois só postar nas redes sociais e no programa eleitoral. Em vez de contratar um grupo de assessores para orientá-lo, basta uma pessoa na gravação. Depois é só fazer edição no computador para usar no horário eleitoral gratuito.

Isto porque a produtora nem sequer poderá fazer trabalho gratuito por caracterizar “doação” de serviços. O custo do marqueteiro, também, será reduzido sem o dinheiro de empresas privadas.

As doações ficarão restritas às pessoas físicas. E nem todas terão dinheiro à disposição, numa crise financeira do País, para ajudar os candidatos a prefeito e vereador. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, manifestou a sua preocupação com essa limitação de só pessoas físicas desembolsarem recursos para os candidatos. Isto porque poderá estimular o caixa 2 nas empresas para custear os candidatos.

O ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues (sem partido) prevê campanha atípica em 2016 em relação às anteriores. “Essa campanha vai ter uma diferença brutal em relação a outras, porque essa legislação não permite doação de pessoas jurídicas”, comentou. 

O partido, segundo ele, vai ter que desembolsar dinheiro para os seus candidatos, uma vez que “os filiados não têm o hábito de doar”. Por essa razão, Antonio João acredita numa mudança muito grande e os partidos terão de se virar para “lidar com isso”.

*A reportagem completa está na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

 

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