O juiz federal Sergio Moro decretou nesta terça-feira (5) a prisão preventiva (sem prazo determinado) do empresário Ronan Maria Pinto e decidiu expedir alvará de soltura para o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira.
Os dois tinham sido presos temporariamente na 27ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na sexta-feira (1º).
Moro disse que não há elementos suficientes para a decretação da prisão preventiva de Silvio. O juiz escreveu em despacho que é preciso ainda mais investigações sobre os pagamentos que o ex-secretário do PT recebeu de empreiteiras, como a UTC e a OAS.
O despacho determina, porém, que Silvio fique proibido de deixar o país e compareça a todos os atos do processo. O advogado do ex-petista, Romero Ferraz Filho, está dirigindo à sede da Policia Federal em Curitiba para buscar o cliente.
"A justiça foi feita", diz o defensor. "Não havia requisitos para a prisão temporária nem para a preventiva. Estão usando argumentos do mensalão, de 2007. Silvinho já teve a punibilidade extinta."
DECRETO DE PRISÃO
O juiz justificou a prisão preventiva de Ronan afirmando que as explicações apresentadas em depoimento foram "frágeis" e deixaram lacunas. Moro também levou em conta que o empresário já foi condenado pela Justiça de São Paulo em um processo sobre corrupção. Para Moro, isso faz com que a liberdade dele represente "risco à ordem pública".
O empresário, dono de empresas de ônibus e do jornal "Diário do Grande ABC", é suspeito de ser o beneficiário final de um empréstimo que o grupo Schahin concedeu ao pecuarista José Carlos Bumlai em troca de um contrato para a operação de um navio-sonda com a Petrobras. O dinheiro, dizem os investigadores, pode ter sido usado para comprar o silêncio de Ronan sobre a morte de Celso Daniel, prefeito de Santo André assassinado em 2002.
Em depoimento, Ronan disse que o dinheiro recebido era um empréstimo. Moro escreveu que "um empréstimo que não é devolvido não é, em princípio, empréstimo, mas outra coisa".
A versão da chantagem tinha sido detalhada pelo publicitário Marcos Valério, pivô do mensalão, em 2012.
Também pesou na decisão de Moro o fato de papéis apreendidos na semana passada apontarem a existência de empresas offshore em nome do filho de Ronan, Danilo Pinto.