Política

LAVA JATO

Dilma pediu ajuda de Delcídio para soltar Marcelo Odebrecht, diz delator

Presidente teria feito pedido em encontro particular com senador

Redação

19/04/2016 - 16h02

O ex-chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), Diogo Ferreira, afirmou em acordo de delação premiada que a presidente Dilma Rousseff pediu ajuda do senador para obter na Justiça a soltura do empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato sob acusação de corrupção.

Essa ajuda, segundo Ferreira, ocorreria por meio da indicação de Marcelo Navarro ao cargo de ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

As declarações de Ferreira confirmam a delação premiada do seu ex-chefe, o senador Delcídio, que também assinou uma colaboração premiada.

De acordo com seu depoimento, Delcídio lhe relatou que a presidente Dilma conversou com ele sobre o assunto em um encontro particular.

O pedido da presidente foi "que obtivesse de Marcelo Navarro o compromisso de alinhamento com o governo para libertar determinados réus importantes da Operação Lava Jato", diz o depoimento.

E completou: "Segundo o senador Delcídio do Amaral, a presidente Dilma Rousseff falou expressamente em Marcelo Odebrecht".

Ferreira relatou que ficou encarregado de fazer contatos com Marcelo Navarro e juntou conversas por mensagens de celular em que marca encontros do futuro ministro do STJ com o senador Delcídio.

Os encontros para tratar do assunto também ocorriam entre o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e Delcídio, de acordo com o delator.

Navarro, de fato, votou no ano passado pela soltura de Marcelo Odebrecht em um habeas corpus no STJ, mas acabou sendo vencidos pelos demais ministros, então a prisão foi mantida.

No segundo depoimento de sua delação, Ferreira detalhou como recebeu pagamentos do filho do pecuarista José Carlos Bumlai, Maurício, que seriam destinados a comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que não fechasse delação premiada.

Assim como já havia dito Delcídio, Diogo afirmou que o ex-presidente Lula tinha preocupação com a possibilidade de Cerveró fechar a delação.

A delação de Diogo foi firmada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em 30 de março, mesmo dia dos depoimentos. Ocorreu posteriormente à delação de Delcídio.

Diogo havia sido preso juntamente a Delcídio no ano passado, depois de ter sido gravado em reunião na qual o senador prometia ajuda financeira a Cerveró e até discutia um plano de fuga. Atualmente está em regime de prisão domiciliar.

OUTRO LADO

Procurada na tarde desta terça-feira (19), a assessoria do Palácio do Planalto ainda não respondeu até as 16h (horário de Brasília). A presidente Dilma Rousseff já rebateu anteriormente as acusações de Delcídio, negando-as e afirmando que eram movidas por "vingança".

O ministro do STJ Marcelo Navarro também já afirmou anteriormente, em nota, que se reuniu com diversas autoridades, mas que nunca se comprometeu a assumir nenhuma posição específica.

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