Política

SECOU A TORNEIRA

Corte de gastos com publicidade sob Temer vai atingir sites pró-PT

Ordem é que dinheiro destinado à publicidade não deve financiar opinião

Redação

14/05/2016 - 15h27
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O presidente interino Michel Temer (PMDB) ordenou a realização de um pente-fino nos gastos com publicidade do governo, o que vai implicar corte do financiamento de sites e blogs pró-PT que eram beneficiados na gestão Dilma Rousseff.

Segundo auxiliares de Temer, a ordem é que o dinheiro destinado à publicidade não deve financiar opinião, mas sim produtos jornalísticos de interesse público.

A partir desta semana, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) fará um levantamento do dinheiro e contratos disponíveis na área para que a diretriz do peemedebista seja aplicada.

Durante os governos Dilma e Luiz Inácio Lula da Silva, sites e blogs simpáticos ao PT recebiam financiamento do Planalto e, muitas vezes, eram privilegiados em entrevistas exclusivas com a presidente agora afastada e com o ex-presidente.

A prática foi alvo de críticas da oposição e levou o então ministro da Secom, Thomas Traumann, ao Congresso no ano passado para esclarecer o financiamento a esse tipo de publicação e o uso de robôs virtuais para o envio de mensagens automáticas, revelada em um documento vazado da própria secretaria.

No governo Temer, a Secom, que ficará sob a responsabilidade do jornalista Márcio Freitas, perderá o status de ministério, mas manterá toda a estrutura e recursos. A secretaria cuidará da verba publicitária, imprensa nacional e estrangeira, veiculação de notícias em sites e blogs, entre outros.

Os gastos previstos com propaganda da Presidência, tanto institucional como de utilidade pública, era de R$ 252 milhões. Desse valor, até o fim de abril, tinham sido pagos cerca de R$ 80 milhões, segundo dados do sistema de orçamento federal.

Assessores do presidente interino dizem que a redução de gastos, uma das prioridades do governo peemedebista, será também aplicada na Secom, mas campanhas publicitárias de emergência, como a do combate à epidemia de zika, vão ser analisadas e, provavelmente, mantidas.

O ministério das Comunicações, sob a batuta de Gilberto Kassab (PSD), continuará cuidando do setor de telecomunicações, internet, TV, rádio e concessões.

EBC

Também na área de Comunicação, Temer vai trocar a direção da EBC (Empresa Brasil de Comunicação). O jornalista Ricardo Melo será substituído pelo também jornalista Laerte Rímoli.

A diretoria executiva da EBC, porém, reagiu à mudança e divulgou nota afirmando que a lei prevê mandato de quatro anos para o presidente da empresa, independentemente do mandato do presidente da República.

Ainda assim, a direção pode ser trocada por decisão do Conselho Curador do órgão.
Auxiliares de Temer, por sua vez, dizem que a então presidente Dilma Rousseff nomeou Melo "às pressas", na véspera da votação do impeachment no Senado. Eles afirmam que se for preciso mudar leis ou estatutos para garantir a troca, isso será feito.

Rímoli trabalhou na campanha de Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência em 2014 e foi diretor de comunicação da Câmara na gestão do então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

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