O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou em depoimento ao Conselho de Ética nesta quinta-feira (19) que se sente "injustiçado" pelo Supremo Tribunal Federal e que a decisão de seu afastamento possui "algum tipo de objetivo" oculto.
"É óbvio que foi uma decisão construída para ter algum tipo de objetivo, que com o tempo se saberá qual é", afirmou Cunha, sem dar sua opinião sobre qual acha ser o objetivo.
Cunha citou que o próprio Supremo considerou a decisão "excepcionalíssima" e que, pela Constituição, a única medida cautelar possível contra um parlamentar é a prisão em flagrante.
O presidente afastado da Câmara ainda disse ser "estranho a celeridade e a seletividade" das investigações contra ele.
"É muito estranha a celeridade com relação a mim quando, por exemplo, uma denúncia contra o presidente do Senado está há três anos sem ser apreciada pelo pleno [do Supremo]", disse.
A denúncia contra Renan Calheiros (PMDB-AL), por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso, chegou a ficar pronta para ir ao plenário, mas foi retirada pelo relator, ministro Luiz Fachin.
Questionado se está se considerando alvo de uma conspiração, Cunha disse que "não vim aqui para fazer exposição de vitimação".
DEFESA
O deputado Marcos Rogério (DEM-RO), relator do processo relativo ao presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, abriu prazo de cinco dias úteis para a defesa apresentar suas razões antes da apresentação final do relatório.
O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, classificou o prazo como “absurdo”, por não estar previsto no Regimento Interno.
Já o presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), afirmou que não faz sentido falar em cerceamento da defesa.
A defesa de Cunha também alega que a denúncia contra ele foi ampliada, o que não poderia ter sido feito. Nobre alegou que as acusações ligadas à Operação Lava-Jato apenas poderiam ser discutidas em uma nova representação, na qual a defesa teria tempo adequado e todos os demais elementos disponíveis para se defender.
Cunha concluiu há pouco o seu depoimento, iniciado às 9h37 de hoje, mas a reunião do Conselho de Ética continua.