A Procuradoria Geral da República divulgou que reuniu mais informações, inclusive documentos, que comprovam a participação do deputado federal por Mato Grosso do Sul Vander Loubet (PT) em esquema de corrupção na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.
Rodrigo Janot, procurador-geral, enviou nesta semana novos elementos ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reiterar a denúncia feita contra Loubet e outras quatro pessoas em 18 de dezembro do ano passado. O G1.com divulgou que Janot reuniu diversos elementos que baseiam a denúncia, não se tratando apenas de inquérito feito com sustentação de delações premiadas.
A defesa do deputado federal tentou minimizar o caso, afirmando que faltavam provas para indicar que Vander Loubet teria se beneficiado em caso de corrupção.
"Não é verdadeira a afirmativa dos acusados de que a denúncia baseia-se apenas em colaborações premiadas. Na realidade, os depoimentos de colaboradores, no caso, foram corroborados por diversos outros elementos de prova, tais como registros de entrada em locais, registros de passagens aéreas, mensagens instantâneas, diversos documentos, depoimentos de testemunhas, dados fiscais e bancários, como minunciosamente exposto na denúncia", disse Janot ao G1.com.
Em referência a Loubet, o que chamou a atenção do procurador-geral foi o banco do deputado, o Bradesco, tentar mudar informações prestadas depois de a denúncia ter sido protocolada no STF.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA
O sigilo bancário do parlamentar foi quebrado e enviado à PGR. O documento informou inicialmente que o deputado recebeu no total R$ 11,5 mil (três depósitos em 2012 e um em 2014) da Arbor Consultoria, que é do doleiro Alberto Youssef e fora usada para pagamento de propina.
Na sequência, o Bradesco pediu para fazer correção e justificar que essa quantia era, na verdade, de depósitos em espécie.
"Estranhamente houve uma suposta 'retificação dessas informações pela instituição financeira que, depois do oferecimento da denúncia no caso, passou a afirmar que as operações consistiram em depósitos em espécie", informou Rodrigo Janot em documento que o G1 obteve acesso.
A investigação da PGR ainda liga o deputado por Mato Grosso do Sul a Pedro Paulo de Leoni Ramos, ex-ministro no governo de Fernando Collor de Melo e operador de desvios do agora senador. Ramos seria quem repassava dinheiro a Vander Loubet.
LAVA JATO
O deputado está na lista dos primeiros políticos a serem investigados na operação Lava Jato. Um inquérito contra ele foi aberto em março deste ano.
A linha de investigação é sobre a participação de Loubet em grupo criminoso, que envolve também o lobista Jorge Luz e o ex-diretor da Petrobras e delator do esquema Paulo Roberto Costa. Eles teriam discutido repasses para o ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também investigado.
Recursos ilícitos também teriam sido utilizados para pagamento de campanha eleitoral em 2012, quando Loubet concorreu à prefeitura de Campo Grande.
JUSTIFICADO
A reportagem procurou o deputado na tarde de hoje para comentar sobre essa nova situação da investigação. A assessoria de imprensa dele informou que não haveria pronunciamento sobre os novos fatos.
Ainda explicou que a argumentação com relação a essa denúncia já foi apresentada no inquérito e está mantida.