Política

ELEIÇÕES 2016

"Com a Controladoria Municipal, vamos combater os desvios de recursos públicos"

Coronel David afirma que sua prioridade nº 1 é a saúde

Redação

20/09/2016 - 08h00

O entrevistado de hoje na série do Correio do Estado com os candidatos a prefeito de Campo Grande é o coronel Carlos Alberto David dos Santos (PSC), deputado estadual, ex-comandante da Polícia Militar. Ele promete resgatar a auto estima dos campo-grandenses.  

CORREIO PERGUNTA 
Quais são os setores prioritários do seu projeto de gestão?

CORONEL DAVID - 
A prioridade número 1 é saúde. O investimento em saúde cresceu 304% em 10 anos, superando R$ 1,1 bilhão, mas a população continua sofrendo com a falta de medicamentos e de médicos. Vamos estabelecer as condições de trafegar com segurança e tranquilidade pelas ruas. Depois de tapar os buracos, vou exigir fiscalização para garantir o asfalto de qualidade e acabar com o desperdício do dinheiro público com lama asfáltica. Fui o único candidato a registrar em cartório o compromisso de criar a Controladoria Geral Municipal, que vai agregar a ouvidoria e será órgão independente para fazer o combate sistêmico contra a corrupção. A prefeitura precisa ter eficiência no gasto do dinheiro público. Na educação, vamos investir na criação de mais vagas em creches e escolas de ensino integral. Para não ter atraso na entrega dos uniformes e kits, vou fazer a licitação no ano anterior para entregá-los no início das aulas.

Especificamente sobre saúde, qual plano para melhorar o sistema da cidade?
A saúde tem dinheiro, mas o povo sofre com a falta de remédios, médicos e vagas em hospitais. É total falta de respeito. Contrataremos mais médicos, com muito rigor no controle de gastos. Para tanto, vamos fazer uma varredura nos cargos comissionados. Valorizar a figura do clínico geral, melhorando a qualidade do atendimento e tendo possibilidade de realizar um diagnóstico e a resolutividade da enfermidade no próprio local, evitando assim que a pessoa busque atendimento nos hospitais, o que pode causar superlotação. Vou implantar o sistema de controle de medicamentos para evitar o desabastecimento na rede pública. Toda vez que o estoque estiver no nível crítico, o setor de licitações será acionado para providenciar a compra e evitar transtornos aos pacientes. Vamos informatizar o atendimento nas unidades de saúde para que as pessoas não repitam o mesmo relato a cada atendimento. Também vou construir o hospital de cirurgias eletivas e criar o Centro de Especialidades Médicas para Crianças. E valorizar os profissionais da saúde, médicos e demais servidores, com um plano de cargo, carreira e salário. 

Como pretende impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade?
A recuperação econômica já começou no interior do Estado, mas não chegou à Capital. Segundo o Ministério do Trabalho, de janeiro de 2015 até julho deste ano, quase 9,7 mil vagas de emprego foram fechadas na cidade. Apesar da gravidade da situação, a Sedesc, que é a secretaria responsável pelas políticas de desenvolvimento, não tem titular desde abril. O Conselho de Desenvolvimento Econômico deveria realizar reuniões mensais e não discute um projeto de incentivo há cinco meses. A cidade precisa de secretaria ativa para atrair indústrias e gerar empregos, impulsionar o turismo com a atração de grandes eventos esportivos. Vou realizar parcerias com escolas e universidades para formar mão de obra, qualificar nossos jovens. Vou atrair empresas e garantir mão de obra para garantir o desenvolvimento pleno.

Como colocar em prática esses projetos em tempo de crise financeira e baixo crescimento da arrecadação?
Com 30 anos de experiência no serviço público, eu sei que é preciso ter eficiência nos gastos. Com a implantação da Controladoria Geral Municipal, vamos combater os desvios de recursos públicos. É necessário realizar auditoria para saber qual o valor real do crédito da prefeitura e o que é considerado podre. Vou realizar uma profunda reforma administrativa, com foco na descentralização e eficiência. O Instituto Municipal de Previdência teve rombo de R$ 109 milhões neste ano, fato que já denunciei ao Ministério Público Estadual. É preciso equilibrar as finanças da previdência para não comprometer o pagamento dos 4,4 mil aposentados e pensionistas.

A cidade passou por turbulento período político. Como avalia as consequências para a Capital?
A cidade está abandonada, perdeu a autoestima. Tivemos duas epidemias de dengue em três anos, com 74 mil casos e 15 mortes. Só a gripe matou 29 pessoas neste ano. Tem gente morrendo por falta de vagas nos hospitais. Isso tudo é reflexo da crise política e da falta de gestão. É preciso, mais do que nunca, resgatar a autoestima dos campo-grandenses, renovar as forças da cidade para garantir um futuro e bem-estar de todos. Vou adotar estratégias consistentes para enfrentar os problemas de gestão e melhorar o atendimento às demandas da população. Temos recursos para obras importantes de infraestrutura, mas que estão paradas, como a revitalização da Ernesto Geisel e os PACs do Bálsamo e da Mobilidade. Só para pavimentação são R$ 311 milhões parados.

Qual seu diferencial para tornar-se prefeito de Campo Grande?
Além da honestidade, tenho experiência em gestão, por ter atuado no serviço público por mais de 30 anos, e por ter sido comandante de uma instituição que lidava com crise todos os dias e colocamos o Estado e a nossa capital no ranking das mais seguras do Brasil. Sou ficha limpa e tenho compromisso com o povo de Campo Grande. Quem vive nesta cidade, que outrora já foi linda, valoriza, sim, a ética, a honestidade e a honra. E vai contribuir com esta virada histórica: o começo do fim da paralisia e da incompetência

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