Política

Lava Jato

Palocci é aconselhado a abrir mão de habeas corpus para fechar delação

Ele é o segundo petista graduado a decidir fazer delação, após Delcídio do Amaral

Redação

13/05/2017 - 10h26
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O ex-ministro Antonio Palocci recebeu conselhos e recados de que, para efetivar acordo de delação premiada, seria melhor desacelerar em relação ao habeas corpus em que pede ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ser libertado. Na tarde desta sexta (12), ele avisou seu advogado de defesa, José Roberto Batochio, que ele teria de se afastar do caso. Ele é o segundo petista graduado a decidir fazer delação, após o acordo do ex-senador Delcídio do Amaral.

A negociação será feita por dois advogados de Curitiba, Adriano Bretas e Tracy Reinaldet. Os dois já haviam sido contratados por Palocci, mas, sem explicações, o ex-ministro rompeu o acerto inicial.
Nesta semana Palocci retomou as conversas com os advogados e decidiu que partiria para a delação. Réu em dois processos em Curitiba, Palocci teme que suas condenações ultrapassarão os 30 anos de prisão.

O ministro Edson Fachin decidiu que o pedido não será julgado pela segunda turma do Supremo, que soltou quatro investigados da Lava Jato em menos de uma semana: o ex-ministro José Dirceu, os empresários Eike Batista e José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP João Cláudio Genu. A decisão de Fachin foi vista pela defesa de Palocci como uma manobra.

O QUE PESOU
Pesou na decisão a operação que a Polícia Federal deflagrou nesta sexta (12), em torno de repasses do BNDES para o grupo JBS, num total de R$ 8,1 bilhões. Palocci é apontado nas investigações como um dos intermediários dos financiamentos que geraram supostas propinas.

Outra influência na decisão de Palocci foi a delação da Odebrecht. Documentos apreendidos pela Polícia Federal apontam que o ex-ministro teria sido responsável por administrar repasses no valor de R$ 128 milhões entre 2008 e 2013.

Palocci era chamado de "Italiano" nos comunicados internos da Obebrecht sobre repasses para o PT. O ex-ministro ficou negando por meses que era o "Italiano", mas o codinome foi confirmado por Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo.

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