Os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul divergem sobre as declarações do comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villa Bôas, que na data de ontem afirmou em rede social repudiar a impunidade. A publicação é associada ao julgamento do habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo mérito será julgado nesta quarta-feira.
Para Maurício Picarelli (PSDB), “o general não deveria se manifestar em questões políticas, de forma alguma. Como representante de uma instituição, o Exército, ele tem que ser isento”, declarou.
O deputado Paulo Siufi (MDB) tem um posicionamento diferente sobre o assunto. Ele acredita que, “o general pode emitir opinião sim, mas não pode acirrar os ânimos. Tem que ser mais pacificador”, disse ele, completando que o representante do Exército “não pode promover o caos e incitar os protestos”.
Opinião semelhante foi dada pelo deputado Renato Câmara (MDB), mas com ressalvas. Segundo ele, “a manifestação pode ocorrer o que não pode ter são outras interpretações”. Ele declarou ainda que “o País vive numa democracia e, na atual conjuntura, o acesso à informação, as mídias sociais não pode ser considerado como uma forma de intervenção militar”.
Ainda sobre esta possibilidade, o deputado completou que, “intervenção militar é algo arcaico que deve ficar na história e não deve ser repetido”, finalizou.
Paulo Corrêa (PR) declarou que "Se o STF for contra o desejo popular vai ferir uma categoria. Por isso o general, que pertence a uma categoria, se manifestou. Se prenderam o Maluf tem que prender o Lula, o general merece respeito".
AS DECLARAÇÕES
O general fez duas postagens na noite de ontem (3). Na primeira, ele disse que: "Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?".
Pouco tempo depois, ele publicou: "Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais".
O comandante do Exército tem quase 160 mil seguidores no Twitter. Somadas, as postagens dele tinha quase 90 mil curtidas na manhã desta quarta-feira.