Petistas estão usando a prisão do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva para ganharem apoio eleitoral e enfrentarem as urnas este ano. Preso há um mês na sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba, Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do triplex de Guarujá (SP).
Para dar apoio ao ex-presidente, uma caravana de Mato Grosso do Sul com 95 pessoas, incluindo o pré-candidato ao governo do Estado Humberto Amaducci, chegou ao Paraná no domingo (6), mais precisamento no Bairro Santa Cândida. A previsão é de que os militantes sul-mato-grossenses fiquem no local até amanhã.
Segundo Amaducci, não há nenhum grande ato previsto para protestar pela data de um mês da prisão de Lula. “Estamos dando força ao acampamento montado em frente à sede da Polícia Federal. É nossa maneira de protestar contra essa prisão”, comenta.
É a segunda vez que Amaducci vai a Curitiba. A primeira foi logo quando Lula foi preso. “Não está programada reunião com o Diretório Nacional aqui no acampamento, só estamos dando força à vigília”, explica.
O pré-candidato diz ainda que é o único político do Estado que foi ao acampamento, nomeado de “Marisa Letícia”, esta semana. “Estou representando os companheiros. Há previsão de os deputados também se juntarem à vigília, mas não sei como está a programação”, declara.
Amaducci retorna hoje a Mato Grosso do Sul para cumprir agendas em Corumbá, Jardim e Aquidauana. “Vamos continuar nossa andança no Estado, ouvir a população e o que ela precisa. Esse é nosso foco”, diz.
Assim como o deputado federal Zeca do PT, o pré-candidato alterou o nome nas redes sociais para Humberto Amaducci Lula da Silva.
Quem também deve ir ao acampamento é o deputado estadual Amarildo Cruz. “Ainda não fui por causa da minha agenda. Mas estamos reivindicando a prisão de Lula da maneira que a política nos permite, fazendo notas de repúdio, encaminhamentos dentro da lei”, explica.
Está prevista uma reunião do partido estadual na sexta-feira (11) para deliberar as ações a serem feitas depois que a caravana retornar, segundo Amarildo.
O deputado estadual Pedro Kemp conta que ele e os outros três políticos da bancada do PT no Estado estão se programando para ir a Curitiba entre esta e a próxima semana. “Nós quatro vamos juntos, mas ainda não tenho como falar o dia certo, porque temos compromissos a cumprir essa semana no Estado”, informa.
Kemp explica que está sendo feito um rodízio para manter o acampamento. “Esta semana foram os militantes de Mato Grosso do Sul e é provável que, no fim do mês, eles voltem novamente para Curitiba”, diz o deputado.
Zeca do PT explica que para reforçar o acampamento militantes foram até Curitiba. “Nossa prioridade é Lula livre e por isso estamos lutando”, declara. Zeca não foi ao acampamento em Curitiba e estará hoje em Brasília.
Lula, que se manteve em primeiro nas pesquisas de intenção de votos para as eleições de outubro, também enviou vários recados à militância, lidos pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann.
ATAQUES
O acampamento em Curitiba que faz vigília em defesa da liberdade do ex-presidente já sofreu três ataques. Duas pessoas ficaram feridas depois de pessoas contrárias a Lula dispararam tiros em direção à vigília.
O terceiro aconteceu na manhã de sexta-feira (4), enquanto os militantes davam o tradicional “Bom-dia presidente Lula”, como é de costume desde quando o político foi preso.
No dia do ataque, um homem quebrou todo o equipamento de som do grupo, usado para amplificar o bom-dia. O autor foi identificado como o delegado da Polícia Federal Gastão Schefer Neto, que já foi até candidato a deputado federal.
Em nota, o Vigília Lula Livre afirmou que segue “cobrando das autoridades proteção aos nossos espaços e medidas contra provocadores e fascistas”.