No momento da discussão sobre aliança partidária para a sucessão estadual, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foi alvo de ataques do seu virtual parceiro político, prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), por causa da discussão da tarifa de ônibus. Esse estremecimento político pode não ter efeito conclusivo na futura aliança entre os dois. Mas deixou mal estar, porque alguns tucanos consideraram deselegante a repreensão do prefeito ao governador, que defendeu a redução da tarifa do ônibus com a baixa no preço do óleo diesel.
“O governador simplesmente manifestou o seu pensamento. Isso não é crime e nem intervenção na administração dele (Marcos Trad)”, comentou um assessor de primeiro escalão de Azambuja. Além disso, o governador se tornou grande parceiro de Trad com investimentos em obras em Campo Grande. Nem por isso o prefeito criticou o governador. Mas reagiu duro quando Azambuja sugeriu a redução da tarifa de ônibus.
Marcos Trad criticou Azambuja por falar “sem base técnica” sobre as cláusulas contratuais do município com o Consórcio Guaicurus quando (o governador) defendeu a redução da tarifa de ônibus. “Houve até a discussão entre Assembleia Legislativa e o governo de que isso, também, deve ter um impacto positivo na tarifa do ônibus urbano, até porque o óleo diesel tem, dentro da composição de preço, é um fator primordial nesse preço”, teria declarado o governador.
Azambuja defendeu a discussão sobre assunto com a Câmara Municipal para beneficiar os usuários de ônibus urbanos em Campo Grande. “É preciso que, a partir desse esforço feito pelo governo federal (redução do preço do diesel), com envolvido das instituições, nós possamos também estar discutindo e reavaliando junto com a Câmara Municipal os impactos positivos dentro da tarifa do transporte urbano”, ponderou.
O prefeito não gostou do que ouviu e leu nos jornais sobre a declaração do governador. Para ele, Azambuja falou o que não sabe sobre dados técnicos. “Quando foi feito o cálculo para que a tarifa fosse fixada em R$ 3,70, o diesel estava R$ 3,13. Hoje, o diesel subiu muito nesse último tempo e em nenhum momento as empresas falaram em repassar o aumento da tarifa para que houvesse reequilíbrio do contrato”, explicou.
Além disso, acrescentou Marcos Trad, “o dado técnico que a gente utiliza do valor do óleo diesel é o da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que é bem menor do que o valor cobrado aqui pelo governo do Estado”. Diante dessa polêmica, o prefeito quer acreditar que “o governador falou sem fundamentação técnica dos dados que o contrato [com Consórcio Guaicurus] prevê”. Para ele, “se a gente fosse apenas pelo variável do óleo diesel cobrado pelo governo do Estado, a tarifa de ônibus seria bem mais cara”.
Depois de criticar, o prefeito disse não ter gerado “mal-estar” a sua contestação porque “Azambuja voltou atrás”. Marcos Trad afirmou ter ouvido o governador admitir que errou em sua avaliação. “Ele foi muito claro e eu estava do lado. Ele disse: nós erramos, o impacto não é esse e cabe às prefeituras saberem disso”, contou. “Praticamente ele [Azambuja] desdisse sobre isso do que foi falado anteriormente”, ressaltou.
O prefeito criticou também o vereador Vinicius Siqueira (DEM), por promover enxurrada de ações na Justiça contra a sua administração. “Aliás, todas as ações que o vereador Vinicius ingressou contra a prefeitura, todas elas foram julgadas em preliminar extinguindo o feito (ações) ou por incompetência, ou por impossibilidade jurídica. A última caiu em cinco ou sete dias atrás. Todas elas foram julgadas improcedentes”, afirmou.
Para dirimir a polêmica da redução do óleo diesel, o prefeito desafiou os vereadores a um debate técnico sobre a questão da tarifa do ônibus.