O prefeito de Campo Grande, Marcos Trad (PSD), jogou “balde de água fria” nas negociações de aliança com PSDB para apoiar a reeleição do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).
Enquanto o governador do Estado declara caminhar para entendimento as conversas com PSD, até por causa do estilo semelhante de administração dos dois, o prefeito disse não existir nada sobre essa aliança. Ele prefere esperar mais tempo para definição do rumo do partido na sucessão à administração de Mato Grosso do Sul.
Marcos Trad condiciona o acordo no Estado à decisão da cúpula nacional do PSD. Azambuja já vê essa relação próxima, porque os dois partidos estão juntos na pré-campanha do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) à sucessão presidencial.
Mesmo assim, o prefeito não quer antecipar nenhuma posição, deixando os tucanos mais angustiados, porque o tempo está passando e as negociações de formação de chapa tanto na proporcional quanto na majoritária estão avançando para fechamento com outros partidos.
Azambuja usa essa relação nacional para sacramentar logo essa aliança do PSD com PSDB em Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, o prefeito Marcos Trad insiste em esperar sinal do comando nacional.
O prefeito não desconhece essa relação do seu partido com os tucanos e, sobretudo, com Alckmin. A cautela dele é aguardar uma determinação “la de cima”, como tem dito, para oficializar acordo com PSDB.
“Tem que ver a decisão em nível nacional primeiro, para depois ver a orientação do partido em Campo Grande. Ainda não tem nada definido”, justificou o prefeito.
Marcos Trad se posicionou sobre aliança com PSDB depois de assistir por 20 minutos o jogo da seleção brasileira com México na Praça da Copa no Rádio Clube, região central de Campo Grande.
Dias atrás, o prefeito já tinha declarado a sua posição de não participar de negociação política de aliança partidária. Para ele, esse é um problema da direção do partido e não de prefeito.
Trad ainda mantém posição crítica ao modelo de aliança em troca de cargos. Ele disse ser contra a este tipo de negociação. Por isso, prefere ficar fora do processo de negociação com PSDB ou com outra agremiação partidária, deixando o fechamento de acordo a cargo dos dirigentes.
O prefeito gostaria mesmo é de concentrar seus esforços na administração e não em questões políticas. O governador age diferente. Ele está pessoalmente buscando entendimento com Marcos Trad para contá-lo na campanha da reeleição.
Azambuja precisa reforçar a sua base política em Campo Grande, onde não está bem posicionado nas pesquisas pré-eleitorais. E o prefeito Marcos Trad seria hoje o principal “cabo eleitoral” pela reeleição do governador.
O governador já conta com outro Trad na sua aliança. O ex-prefeito de Campo Grande Nelsinho Trad, irmão de Marcos, fechou aliança do PTB com PSDB. Nelsinho, líder de todas as pesquisas eleitorais, será o candidato a senador nessa parceria.
O prefeito Marcos Trad já disse que não vincula o acordo do PSD com o PTB em nenhuma aliança. Ou seja, os irmãos poderiam caminhar em rumos diferentes na sucessão estadual. Isso não deve ocorrer, porque, se depender da tendência nacional, o PSD ficará com PSDB em Mato Grosso do Sul.
Trad destacou também que não vai utilizar seu nome para forçar que comissionados votem em um candidato da sua escolha.