Política

ELEIÇÕES 2018

Amorim diz que declaração da ONU sobre Lula tem de ser seguida

Amorim diz que declaração da ONU sobre Lula tem de ser seguida

Redação

17/08/2018 - 23h30
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Comandante do Ministério das Relações Exteriores durante nove anos e meio nos governos petistas, o ex-chanceler Celso Amorim classificou como lamentável a nota publicada pelo Itamaraty que diz que a declaração do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que aponta que o ex-presidente Lula tem o direito de participar das eleições deste ano, é apenas uma recomendação.

Segundo ele, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos assinado pelo Brasil tem força normativa. "A liminar tem que ser cumprida. O pacto assinado pelo Brasil foi internalizado. Faz parte da lei brasileira." 

"O Brasil tem duas opções: cumprir a decisão ou se tornar um pária internacional, um país que está a margem da lei internacional", declarou.

Amorim diz que a tramitação do pacto revela a força de lei. 

"O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos da ONU que o Brasil assinou é um pacto geral. Existe um protocolo adicional, que o país não era obrigado a assinar, em que o país aceita a jurisdição do comitê. O Brasil aceitou essa jurisdição", diz Amorim.

A declaração do Comitê da ONU diz que o Estado Brasileiro deve tomar "todas as medidas necessárias para permitir que o autor [Lula] desfrute e exercite seus direitos políticos da prisão como candidato nas eleições presidenciais de 2018, incluindo acesso apropriado à imprensa e a membros de seu partido politico" e, também, para "não impedir que o autor [Lula] concorra nas eleições presidenciais de 2018 até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final". 

A declaração não entra no mérito da culpa ou não do ex-presidente nos processos em que foi condenado. Pede apenas que os direitos políticos dele sejam mantidos até que o processo tenha se encerrado.
A tradução do documento entregue aos jornalistas foi feita pela defesa de Lula. 

Amorim participou da entrevista coletiva convocada pelos advogados de Lula para comentar a decisão do Comitê da ONU. Também estava no evento o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro. 

Valeska Teixeira, advogada de Lula, diz que o estado brasileiro reconheceu a legitimidade do órgão durante o processo. 

"O Brasil se manifestou três vezes reconhecendo a legitimidade do Comitê de Direitos Humanos da ONU", diz Valeska Teixeira.

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