Após três dias de seu giro pelo Nordeste, Haddad já adaptou seu discurso, habitualmente empolado, para tentar incorporar a imagem -e a popularidade- do ex-presidente Lula diante do eleitorado mais cativo do PT.
Em fala para militantes do partido nesta quinta-feira (23), em João Pessoa (PB), Haddad deixou de lado expressões como "spread bancário", que usa para explicar sua proposta de taxar os bancos, e ainda contou causos e fez metáforas futebolísticas, como é praxe do próprio Lula.
"Quando você sai pra rua, vai dando explicação e as pessoas vão te cobrando simplificações. Se você fala 'spread', ninguém vai saber o que é", disse Haddad em relação à diferença das taxas de juros que o banco paga e cobra por empréstimos.
Aos petistas que preenchiam um dos salões do Clube Cabo Branco, na capital paraibana, o candidato a vice na chapa do PT ao Planalto então simplificou:
"Precisamos dar um choque nos bancos. Quanto mais juros cobrar, mais imposto vai pagar", declarou.
A viagem por cinco estados do Nordeste, que acaba neste sábado (25), tem o objetivo de expor ao máximo a figura de Haddad, ainda desconhecido na região. A ideia é colar a imagem do ex-prefeito à do ex-presidente e fazer com que as pessoas associem ambos diretamente.
O PT insiste no discurso de que Lula é candidato, mas deve substituí-lo por Haddad na cabeça de chapa quando o ex-presidente for declarado inelegível, o que pode acontecer no início de setembro.
Segundo o Datafolha, a capacidade de transferência de votos de Lula, que lidera a pesquisa com 39%, é grande -31% dizem que votariam em um nome indicado pelo petista e 18% afirmam que talvez o fariam.
Haddad ainda é pouco beneficiado ao herdar parte desses eleitores -somente 9% votam nele na ausência de Lula.
Apesar de a campanha petista observar os dados com lupa, publicamente o ex-prefeito de São Paulo diz que esses números ainda são baixos porque ele não é candidato.
"Nosso desejo sincero é que Lula seja candidato. Não estamos fazendo cálculo eleitoral. A resposta cabe ao TSE".
Haddad afirma ainda que "se continuarem fazendo injustiça com Lula, ele vai chegar a 80%". "Cassar o Lula é cassar o voto de metade da população brasileira".
Aliados são menos comedidos ao falar da substituição de Lula. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), por exemplo, afirmou nesta quinta que Haddad será "o que Lula e o povo brasileiro quiserem que ele seja".
Após passar por Salvador, ainda um pouco assustado com a multidão que o acompanhou em uma caminhada ao lado do governador e candidato à reeleição, Rui Costa, Haddad parecia mais à vontade nesta quinta na Paraíba. Nesta semana, o petista esteve também em Aracaju (SE) e Campina Grande (PB), e segue para Mossoró (RN) e São Luís (MA).