Depois do senador Pedro Chaves (PRB) subir no palanque do PSDB e pedir voto para o governador e candidato à reeleição, Reinaldo Azambuja (PSDB), na última segunda-feira (10), o partido do senador emitiu uma nota oficial repudiando a atitude de Chaves e informando a abertura do processo interno para a expulsão do político do PRB.
O problema é que a legenda de Chaves está na chapa do PDT, que tem como candidato ao governo, o juiz Odilon de Oliveira. O senador desistiu de disputar a reeleição, depois de ter feito um acordo com a sigla do juiz de que na disputa ao Senado, seria apenas ele na chapa majoritária.
Mas, o Podemos que também se aliou ao PDT lançou Humberto Figueiró como candidato a senador. Chaves então, desistiu da reeleição alegando esses fatos. Odilon enviou um comunicado à imprensa sul-mato-grossense, falando que não se alia a covardes. Ele não citou nomes.
Quase um mês depois de desistir da reeleição, Chaves esteve presente no evento dos tucanos, devido a visita da candidata a vice-presidente de Geraldo Alckmin (PSDB), senadora Ana Amélia (PP). O senador subiu no palanque e pediu votos para Alckmin, para a senadora e também para Azambuja.
Pedro Chaves explicou que o PRB nacional fez aliança com o PSDB e era dever dele receber a candidata. “Como senador da República, sou obrigado a dar palanque ao Alckmin, e eu fui receber a senadora no evento”, disse.
Chaves disse também que, na oportunidade, pediu voto para Alckmin e para Azambuja. “Depois do que o Odilon fez comigo, eu estava sem candidato ao governo”.
Com relação à reação do presidente estadual do PRB, Wilton Acosta, o senador afirmou que “ele faz o que quiser”. “Estou consciente das minhas ações. Eu não preciso dele para dizer quem eu sou”.
O senador alegou ainda que Acosta não vai denegrir sua imagem. “Foi um momento de ira dele, acho que foi fora do contexto. Não é justo o que ele fez, não falou comigo, não quis saber o que aconteceu”, afirmou.
Em nota, Acosta declarou ter descoberto que o senador estava declarando apoio a Azambuja, pelas redes sociais. Depois disso, a direção regional do partido emitiu uma nota oficial repudiando a atitude unilateral do senador e informando a abertura do processo interno que resultará na sua expulsão do partido.
Na nota, a legenda fala que a atitude tomada pela diretoria foi pela indignação com a “falta de caráter” do senador já que, a fim de garantir uma vaga a Pedro Chaves para concorrer ao Senado, o PRB desfez aliança de 4 anos com o PSDB, assumindo o compromisso de apoio com o Odilon. “Ainda assim, dias depois do rompimento, Pedro Chaves afirmou desistir da candidatura”.
Segundo Acosta, o senador mudou de lado sem dar satisfação. “Ele mostrou que ainda faz o jogo da velha política. Agora o bolso está cheio das 30 moedas, mas o caráter,
vazio”.
De acordo com jurista, Chaves pode ser sim expulso, pois ele foi infiel ao partido em que é filiado. “Existe a fidelidade partidária e precisa seguir as regras da legenda. Chaves é um homem público, um senador da República e isso tem peso”, explicou.