Deputados estaduais comentaram sobre o reflexo da Operação Vostok, deflagrada pela Polícia Federal, nas eleições de 2018, principalmente no que diz respeito a tentativa de reeleição do governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB). O líder do Executivo estadual foi um dos alvos dos 14 mandados de prisão e 220 mandados de busca e apreensão deflagrados pela PF. De acordo com parte do texto do pedido de prisão temporária, Azambuja só não foi preso por causa dos “prejuízos socais e econômicos” que o Estado poderia sofrer.
Mesmo sem prisão decretada, a maioria dos parlamentares acreditam que o impacto é negativo para a campanha de Azambuja, além de “sujar mais ainda” a imagem dos políticos. “Sofremos com a descriminalização da política, com essas ações, a imagem do político fica pior ainda”, Disse o deputado estadual, candidato à reeleição, Maurício Picarelli (PSDB).
O deputado Paulo Siufi (MDB) afirmou que já tem ouvido, nas ruas, as pessoas fazendo comentários sobre as prisões e mandados de buscas que ocorreram na manhã de ontem (12), em Campo Grande. “Com certeza essa operação vai refletir no pleito de outubro. Mas tudo isso é uma tristeza, acaba caindo sobre todos nós”, completou o parlamentar.
Apesar de reconhecerem que os reflexos serão negativos, os parlamentares disseram que apenas por meio das pesquisas de intenção de votos é que o Estado terá uma confirmação do real impacto da operação. “Que tem reflexo, tem! Mas não sabemos mensurar a proporção, o Mochi - presidente da Assembleia Legislativa e candidato ao Governo do Estado, deputado Junior Mochi- pode se beneficiar sim, mas temos que analisar pra onde vai migrar esse pessoal”, declarou o deputado Márcio Fernandes (SD), supondo que os eleitores de Azambuja não vão mais votar nele devido ao envolvimento do governador na operação.
O presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa, deputado José Carlos Barbosa (DEM), Barbosinha, não soube formar opinião em relação aos reflexos das prisões e dos mandados de busca e apreensão de políticos, empresários e pecuaristas, deflagrada ontem pela PF. “Não sei dimensionar ainda, vamos observar os próximos passos”, declarou.
O impacto já pode ser visto na sessão desta quinta-feira (13) do Legislativo, em que a maioria dos deputados da base do governador não compareceram, a sessão durou menos de uma hora e parlamentares não apreciaram nenhum projeto de lei, pois não teve ordem do dia.
OPERAÇÃO VOSTOK
As investigações tiveram início neste ano, e tiveram como ponto de partida delação de empresários do grupo JBS. A ação envolve 220 policiais federais que cumprem 220 mandados de busca e apreensão, 14 de mandados de prisão temporária em Campo Grande, Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes da Laguna e na cidade de Trairão (PA). Os mandados foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O inquérito da PF apontou que até 30% dos créditos tributários (incentivos fiscais ao grupo JBS) eram revertidos em proveito do grupo, que os policiais federais chamam de “organização criminosa”. A Operação da Polícia Federal foi denominada “Vostok”, o mesmo de uma estação de pesquisa da Rússia na Antártida e, segundo a PF, tão fria quanto as notas utilizadas para lavar a propina da JBS.
As propinas foram pagas por meio de doação eleitoral para a campanha de 2015, e também em espécie, nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), em 2015.
Os pedidos de prisão temporária foram em desfavor de:
- Rodrigo de Souza e Silva (filho de Reinaldo Azambuja, governador de MS)
- Ivanildo da Cunha Miranda
- João Roberto Baird
- José Ricardo Guitti Guimaro (o Polaco)
- Antonio Celso Cortez
- Elvio Rodrigues
- Francisco Carlos Freire de Oliveira
- José Roberto Teixeira (deputado Zé Teixeira)
- Marcio Campos Monteiro (conselheiro do Tribunal de Contas de MS)
- Miltro Rodrigues Pereira
- Nelson Cintra Ribeiro (ex-prefeito de Porto Murtinho)
- Osvane Aparecido Ramos
- Rubens Massahiro Matsuda
- Zelito Alves Ribeiro