Política

BASTIDOR DA ELEIÇÃO

Simone admite sair do MDB <br>e levar várias lideranças de MS

Senadora conta sobre assédio e pressão de Renan para tirá-la da disputa na bancada

A senadora Simone Tebet (MDB) falou sobre os bastidores da tumultuada e confusa eleição para presidente do Senado. Ela decidiu enfrentar o senador Renan Calheiros (AL) na bancada e no plenário, no qual ela votou em Davi Alcolumbre (DEM-AP), e não no correligionário. Por isso, ela foi ameaçada por Renan de ser expulsa do partido. “Posso sair, sim, do MDB, mas ainda não, ainda não vou a abandonar o barco”, declarou ela em entrevista à CBN Campo Grande.

O MDB foi o partido do seu pai, o senador falecido Ramez Tebet, no qual fez história na política. Mas Simone sente a pressão para pular do barco emedebista. “Infelizmente, é o partido que insiste em sair de mim com os conchavos, com o toma lá dá cá”, afirmou a senadora.

“Não posso abandonar o barco”, ressaltou sobre a troca de agremiação partidária. Se depender dela, com essa declaração, continuaria lutando dentro do MDB por mudança de postura. Ela enfrenta, no entanto, resistência dos caciques emedebistas para reconstruir o partido em consonância com as vozes das ruas.

Simone alertou ainda sobre as consequências de eventual saída sua do MDB, porque muitas lideranças do Estado poderão acompanhá-la. “Esse partido, se continuar assim, não terá a minha presença e a de muitos colegas de Mato Grosso do Sul”, advertiu. Para ela, “o MDB precisa se reinventar” para recuperar a imagem de uma legenda que fez história no Brasil.

No Estado, ela sempre militou no MDB ao lado do pai, Ramez Tebet, e hoje está acompanhada do marido, deputado estadual Eduardo Rocha.

Ela disse ter sido procurada pelo senador Major Olímpio (SP) para filiar-se ao PSL do presidente Jair Bolsonaro. As lideranças nacionais do PSDB e do DEM também a convidaram para filiação. O senador Nelsinho Trad (MS) prometeu estender o tapete para recebê-la no PSD.

Por enquanto, Simone prefere continuar lutando para recuperação do MDB. Ela sabe que se trata de batalha dura, porque no Senado estará enfrentando os maiores caciques do partido contrários à mudança de comportamento do partido.

ASSÉDIO

Sobre a eleição do novo presidente do Senado, Simone Tebet disse ter enfrentado sozinha Renan Calheiros. “Precisávamos dar um ponto-final nessa história”, comentou Simone sobre a volta de Renan à Presidência do Senado.

Ela acusou Renan de aparecer “com todos os tipos de assédio, possíveis e inimagináveis”. Para a senadora, “Renan achava que ia me comprar, me ofereceu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça. Eu falei que iria até o fim”.

Simone ressaltou a manobra de Renan para derrotá-la na bancada. “Ele precisou importar senador para se filiar um dia antes e me derrotar dentro da bancada, porque se não eu seria candidata e ali ele viu que estava em um jogo difícil de ganhar”, comentou.

A senadora destacou a estratégia da sua renúncia e dos outros candidatos, como Álvaro Dias (Pode-PR) e do Major Olímpio, para não beneficiar Renan. “Precisávamos ganhar no primeiro turno, porque ele [Renan] poderia seduzir colegas [se fosse ao segundo turno]”, disse Simone. Isso poderia ajudar Renan a vencer a disputa eleitoral.

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