Política

CONFLITO

Senado vai criar comissão para tratar de conflito na Venezuela

Nelson Trad quer ir ao Parlatino no Panamá

Izabela Jornada

01/03/2019 - 12h17

O Brasil está entre os países que não reconhecem a legitimidade de Maduro como presidente da Venezuela. Na semana passada, Maduro determinou o fechamento da fronteira com o Brasil, em Pacaraima (RR) e diante dessas ações, o presidente da comissão de Relações Exteriores e da Defesa Nacional, senador Nelson Trad (PSD/MS), propôs medidas urgentes para dar rumos e soluções aos conflitos enfrentados no país de fronteira.  “Uma comissão daqui deverá ir ao Parlatino no Panamá para contribuir no fim dessa crise”, disse o senador.

Na última quinta-feira (28), o senador participou de reunião com o presidente em exercício da Venezuela, Juan Guiadó, no Congresso Nacional. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (PSD) e outros senadores também estavam presentes no encontro. 

O resultado da reunião será a criação de comissão com o objetivo de tratar sobre a crise no território vizinho em março, diplomaticamente. “A Comissão de Relações Exteriores vai fazer uma comissão de senadores só para acompanhar o caso da Venezuela e vamos propor uma reunião em um país neutro, o Panamá”,  afirmou o senador.

Em entrevista, Juan Guaidó afirmou que, mesmo diante de ameaças que vem recebendo do regime de Nicolás Maduro, irá retornar à Venezuela até a próxima segunda-feira (4). Principal líder da oposição ao governo de Maduro, Guaidó chegou a Brasília na madrugada dessa quinta (28). Pela manhã, se reuniu com diplomatas de países da União Europeia. À tarde, encontrou-se com o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), e com os parlamentares no Congresso Nacional.  

Guaidó enfatizou que a Venezuela vive hoje em regime de ditadura que persegue e prende adversários políticos. Ele acusou o governo Maduro de queimar alimentos e medicamentos que seriam destinados ao povo venezuelano, como forma de impedir a ajuda humanitária oferecida por países que não reconhecem mais o governo do atual presidente. “A Venezuela está entre dois caminhos: a ditadura e a democracia”, enumerou.

Segundo Guaidó, no momento a Venezuela tem cerca de mil presos políticos. E, segundo ele, mais de mil exilados que continuam a luta “cada vez mais intensa” pela democracia no país.

Guaidó ressaltou que nos últimos cinco anos foram tentados três processos de negociação com Maduro, a fim de assegurar eleições livres no país, com a possibilidade de observação internacional e de auditoria do resultado.

“A exigência do povo da Venezuela era uma eleição livre, com um árbitro imparcial, o direito de eleger e de ser eleito”, declarou, acrescentando que a prisão de adversários políticos e de concorrentes de Maduro em processos eleitorais “não pode ser parte de uma eleição livre”.

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