Política

NEGOCIAÇÃO COM CONGRESSO

Postura de Bolsonaro é a mesma de quando ele era parlamentar

A pauta agora é a Reforma da Previdência

Izabela Jornada

28/03/2019 - 12h18

O presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (PSL), continua com o mesmo discurso que sustentava há mais de 20 anos, ao se tratar do relacionamento do Congresso Nacional com o Executivo. A pauta agora é sobre a aprovação da Reforma da Previdência. De acordo com Bolsonaro, não é possível um presidente governar o país com congresso que age com conivência com o Executivo. “Poucos votos são conscientes aqui dentro, uma parte considerável vota de acordo com orientação de seus líderes que barganham com o Executivo, em especial, cargos nos ministérios e no baixo escalão”, declarou o presidente, anteriormente, no início de sua carreira política, quando ainda era deputado federal, há mais de 20 anos, pelo Rio de Janeiro.

Em outra ocasião, Bolsonaro criticou, também por meio de vídeo que foi divulgado em redes sociais, a atuação do então presidente Michel Temer (MDB). “Governo de porcaria esse do Temer, ele vem com essa porcaria de Reforma da Previdência que não vai aprovar e vai dar munição para o PT crescer em 2018, toma vergonha na cara e assuma a pipoca desse governo, Temer! Corta a cabeça desses amiguinhos”, reclamou ele.

O presidente criticou também a questão das indicações políticas. “Isso que trava o Governo e mergulha o Governo na corrupção e na ineficácia”, declarou.

Mais de 20 anos se passaram e o discurso continua o mesmo. “Não podemos continuar fazendo campanha tendo líderes partidários como se fossem líderes sindicais que chegam no Governo e dizem quero estatal, quero ministérios”, criticou Bolsonaro em outro vídeo divulgado em redes sociais.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA 

A proposta da reforma está tramitando no Congresso Nacional e Bolsonaro tem alertado os parlamentares quanto a importância e a necessidade de que a matéria seja aprovada. 

Sobre a possível briga entre o líder do Executivo nacional e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o democratas já adiantou que não tem problema pessoal com o presidente. “Me coloquei nas últimas semanas tentando ajudar o Governo, cumprindo papel que não é meu e, de alguma forma, articular pelo Governo. Como o Governo não compreendeu, eu restabeleci minha posição original de presidente e vou ajudar a continuar mostrando o que vai acontecer com o Brasil se a reforma não for aprovada”, reforçou Maia.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu em audiência pública no Senado a aprovação da proposta de reforma da Previdência Social enviada pelo governo (PEC 6/2019). Ouvido nesta quarta-feira (27) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Guedes afirmou que a situação da Previdência pode “implodir” a máquina pública do país. E exaltou o papel do Congresso na construção de uma solução.

"Nosso sistema previdenciário está quebrando antes de a população envelhecer. O déficit aumenta em golfadas de R$ 40 bilhões por ano. O Brasil vai explodir muito rapidamente do ponto de vista fiscal. Não é uma ameaça, é uma projeção. Esta bola está com o Congresso", disse Guedes em entrevista ao site do Senado.

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