O PSB deverá passar por processo de troca de comando para “não acabar na Câmara Municipal de Campo Grande” nas próximas eleições, em 2020. O temor é com a não eleição de vereador por causa da desorganização partidária. O presidente da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul (Cassems), Ricardo Ayache, foi convidado para retornar ao partido com a missão de reestruturá-lo em todos os municípios.
A direção nacional está discutindo essa mudança no Estado, preocupada com a escassez de lideranças para concorrer as eleições municipais sem coligações. O presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, discutiu as condições do PSB com Ayache. Na conversa com Siqueira, ele teria manifestado interesse de voltar ao PSB.
A perda de capacidade de movimento político do atual comando vem deixando o vereador Carlos Augusto Borges, o Carlão, preocupado, porque a sua reeleição está em jogo. Ele reconhece a dificuldade de manter o “partido vivo” na Câmara Municipal se não montar chapa competitiva para as eleições municipais.
“Temos vários nomes que podem ser candidatos, mas precisa organizar para ninguém sair”, alertou Carlão. “Ou faz o partido ou o PSB acaba na Câmara”, advertiu o vereador. Foi Carlão quem revelou as negociações de Siqueira com Ayache.
Na avaliação de Carlão, o PSB tem de fazer coligação na majoritária (prefeito), porque na proporcional (chapa de vereadores) está proibida, para conquistar votos na cola do candidato a prefeito. Ele alertou sobre o risco de lançar nome próprio para enfrentar o prefeito Marcos Trad (PSD) nas próximas eleições. “Se for sair com candidatura própria, o partido precisa de musculatura”, afirmou. Essa força o partido não tem, em sua avaliação, por causa da falta de planejamento e estruturação.
O vereador disse ter conversado, também, com Ayache para assumir o comando do PSB em Mato Grosso do Sul. O presidente da Cassems teria se colocado à disposição da direção nacional e impôs algumas condições, sem revelar quais, para dirigir e fazer o partido crescer no Estado. Carlos Siqueira pediu para Ayache esperar até julho. Até lá, o atual presidente regional do PSB, ex-deputado federal Elizeu Dionizio, poderá ser substituído.
Carlão disse haver simpatia de Siqueira à volta de Ayache ao partido e sua indicação para comandar o destino da agremiação no Estado. “Eu como vereador, sou mais antigo aqui, acho Ayache bom nome, porque temos de fazer o crescimento do partido”, afirmou.
O vereador disse não ter “nada contra” ao atual presidente regional do PSB, Elizeu Dionizio, mas considera o presidente da Cassems mais motivado para reorganizar o partido em Mato Grosso do Sul, visando as eleições municipais. Ele afirmou que sem voto nas urnas, o partido pode acabar no Estado e deixar muitas lideranças “na mão”.
Diante o cenário sombrio do PSB em Mato Grosso do Sul, Carlão não vê mais espaço para Elizeu continuar no comando. “A chance de manter o atual presidente é bem menor em relação de Ayache assumir”, comentou.
A missão de Ayache, observou o vereador, é com a montagem de chapa para concorrer vagas nas câmaras municipais sem poder participar de coligações. “Nós sempre coligamos e não vai acontecer mais”, lamentou o vereador.