O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, comemorou neste sábado a decisão do presidente Jair Bolsonaro de não viajar à cidade para receber uma homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Na sexta-feira, o presidente cancelou a viagem que faria aosEstados Unidos no próximo dia 12.
Em seu perfil no Twitter, De Blasio, do Partido Democrata, escreveu que o mandatário "aprendeu do jeito mais difícil" que os nova-iorquinos "não se deixam cegar pela opressão".
"Nós chamamos atenção para sua intolerância. Sem surpresas — covardes não costumam aguentar um soco. Já vai tarde, @jairbolsonaro. Seu ódio não é bem-vindo aqui".
"O assalto de Bolsonaro aos direitos LGBTQ e seus planos destrutivos para nosso planeta se refletiram em muitos líderes, incluindo em nosso país. Todos devem se levantar, falar e lutar contra esse ódio imprudente", reforçou o prefeito.
De Blasio já havia pedido para o Museu de História Natural de Nova Yorknão sediar a homenagem a Bolsonaro, que acabou transferida para um hotel. Além disso, três empresas - Delta, Bain & Company e Financial Times - cancelaram patrocínios para o evento.
Segundo a Presidência, Bolsonaro foi alvo "da resistência e dos ataques deliberados do prefeito de Nova York". "Ficou caracterizada a ideologização da atividade", diz uma nota do porta-voz Otávio Rêgo barros.
A Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos foi criada para facilitar negócios entre os dois países. A escolha de Bolsonaro como Personalidade do Ano gerou constrangimentos dentro da própria entidade, incluindo pelo fato de o brasileiro ser o primeiro presidente em exercício a receber a honraria.
Um grupo de empresários avaliou que a escolha do novo presidente não se justificaria, devido ao pouco tempo de mandato, e por suas posições ideológicas, que seriam, no seu entender, contrária a temas caros aos americanos que fazem parte da organização, como a tolerância e o multilateralismo.
No ano passado, o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, foi o agraciado pela Câmara de Comércio. Na agenda, ainda estava previsto um evento organizado por empresários brasileiros, juntamente com o ministro da Economia, Paulo Guedes, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, além do secretário da Fazenda de São Paulo, o ex-ministro Henrique Meirelles. Bolsonaro ainda viajaria a Miami para um encontro com parlamentares americanos.