Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) estão na Câmara Municipal de Campo Grande para realizar oitiva de vereadores sobre a Operação Omertà, que prendeu na semana passada os empresários e pecuaristas Jamil Name e Jamil Name Filho. Ainda não há confirmação de quais e quantos parlamentares estão prestando seu depoimento.
No documento de representação de prisão preventiva que o Gaeco elaborou para a Justiça do Estado, no bojo da operação, os vereadores Valdir Gomes (PP) e Ademir Santana (PDT) foram citados, assim como o ex-deputado federal e ex-governador de Mato Grosso do Sul José Orcírio Miranda, o Zeca do PT, e o deputado estadual Jamilson Name (PDT).
A operação realizada na sexta-feira (27) prendeu, além dos Name, quatro guardas municipais, quatro policiais civis, um millitar do Exército e um policial federal. Todos envolvidos em um suposto esquema de milícia armada que estaria envolvida em, pelo menos três, mortes em Campo Grande: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.
Os crimes investigados pelos policiais do Garras e do Gaeco são de homicídio e corrupção ativa e passiva. Ao todo foram pedidos 13 mandados de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 mandados de busca e apreensão, todos no bojo da Operação Omertá. Dois integrantes do grupo estão foragidos, o ex-guarda municipal José Moreira Freires e o auxiliar Juanil Miranda Lima – apontados como os executores dos assassinatos investigados pela força-tarefa e foragidos desde abril, quando as investigações começaram a avançar –, além do advogado Alexandre Fransolozo, cujo mandado de prisão temporária (suspenso no domingo pelo Tribunal de Justiça) nem chegou a ser cumprido. Na segunda-feira, Gaeco e Garras distribuíram cartazes pedindo informações dos foragidos.
Para dar o nome à operação, os policiais utilizaram um termo do dialeto napolitano, do idioma italiano. Omertá, conforme o Gaeco, é um termo que se fundamenta em um forte sentido de família e em um silêncio que impede a cooperação com autoridades policiais ou judiciárias. Trata-se de um código de honra muito usado nas máfias do Sul da Itália.