Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Ex-líder do PSL chama Bolsonaro de covarde: "se dobra a militares"

Delegado Waldir diz que oficiais serão favorecidos e os praças, prejudicados

Eduardo Miranda

22/10/2019 - 15h27

Em meio à disputa com o governo, o deputado Delegado Waldir (PSL-GO) disse que o presidente Jair Bolsonaro foi “covarde” e que “se dobra aos generais” na reforma da Previdência dos militares. Os praças - militares de baixa patente - estão revoltados com as mudanças porque há a previsão de um reajuste maior para as patentes mais altas.

“O governo colocou na Comissão Especial apenas oficiais. O salário continuará sendo uma miséria para os sargentos”, disse Waldir.

REFORMA

A Comissão Especial da Câmara que discute a reforma da Previdência dos militares encerrou nesta terça-feira, 22, as discussões do texto e entra agora na fase de votação do projeto. 

A proposta dos militares foi enviada pelo Executivo ao Congresso em março, um mês após o governo apresentar a reforma da Previdência que atinge INSS e servidores federais civis.

A proposta desagradou aos parlamentares por impor sacrifícios mais brandos aos militares, entre eles um pedágio menor - a exigência de tempo a mais de quem está na ativa é de 17% sobre o tempo que falta para a aposentadoria, contra adicionais de 50% a 100% no caso dos civis.

Além de aumentar as exigências para passar à ativa, o projeto também prevê reestruturação nas carreiras militares, com reajustes previstos até 2023 e adicionais por fatores como tempo de permanência nas Forças e realização de especializações.

Pelo texto, oficiais de alta patente podem alcançar um aumento de até 73%, enquanto um soldado não conseguirá reajuste superior a 12%.

De acordo com cálculos do governo, a economia com a reforma dos militares será de R$ 97,3 bilhões em dez anos. A reestruturação das carreiras e o reajuste salarial vai causar um aumento de R$ 86,65 bilhões.

PREVIDÊNCIA

Sobre a votação da reforma da Previdência para a maioria dos brasileiros, o relator da da Proposta de Emenda Constitucional no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), reforçou a expectativa que a proposta seja aprovada em segundo turno na sessão desta terça-feira, 22, sem alterações no conteúdo do texto. Ele ainda afirmou que a votação termina ainda nesta sessão, “nem que seja até de madrugada”.

“Espero que não (haja alterações). Acho que nós chegamos ao ponto correto na nossa discussão do primeiro turno e no segundo turno é manter como foi aprovado”, disse o senador, antes da sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que vai analisar as emendas apresentadas após o primeiro turno de votação.

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