Política

Congresso nacional

Rumo do governo Bolsonaro depende das eleições de hoje no Senado e na Câmara

Governo aposta em Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Senado, e Arthur Lira (PP-AL), na Câmara

Gabrielle Tavares

01/02/2021 - 08h30

As votações que ocorrerão hoje no Senado e na Câmara dos Deputados serão determinantes para a segunda metade do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na Presidência da República.  

O governo federal aposta em duas candidaturas, do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), para ter mais tranquilidade para cumprir promessas de campanha, como as ligadas a pautas de costumes e armamentistas, e também ter menos enfrentamentos com o Congresso.

Últimas notícias

Já a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP), embora neguem qualquer oposição mais ferrenha ao governo de Jair Bolsonaro, têm como principal bandeira de suas campanhas uma postura mais independente do Congresso Nacional, como o poder moderador e fiscalizador do Poder Executivo. Eles também falam em acelerar reformas, como a tributária.

SENADORES DE MS

Em Mato Grosso do Sul, os parlamentares estão divididos para as eleições, que estão marcadas para as 18h desta segunda-feira e que definirão os ocupantes do terceiro e quarto cargos da linha sucessória da Presidência da República.

No Senado é onde a disputa está mais dispersa. Simone Tebet tenta repetir o feito de seu pai, Ramez Tebet, que presidiu o Senado no fim de seu mandato, e pode ficar sem nenhum voto de seus colegas de bancada.

Nelson Trad Filho (PSD) já reiterou que acompanhará seu partido e que votará em Rodrigo Pacheco para presidente. O sul-mato-grossense, que atualmente é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, pretende, no mínimo, manter o cargo que ocupa. 

Porém, ele também pretende alçar voos maiores, seja na Mesa Diretora, seja se capitalizando para ocupar o Ministério das Relações Exteriores, no caso de Jair Bolsonaro ceder a algumas pressões e exonerar Ernesto Araújo.

Soraya Thronicke (PSL) mantém o silêncio desde o início da disputa. A estratégia da senadora é a de não se indispor com a colega de bancada Simone Tebet e também não se distanciar de boa parte de sua base, que apoia o presidente Jair Bolsonaro. 

Não será surpresa se Soraya Thronicke votar em seu colega de bancada Major Olímpio (PSL-SP), caso Pacheco mantenha a margem folgada sobre Simone Tebet que os prognósticos indicam.

REFORÇO DE MINISTRA

A Câmara dos Deputados é onde a disputa tem tudo para ser mais acirrada. E é por isso que a parlamentar mais poderosa do momento da bancada de Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (DEM), deixou o Ministério da Agricultura na sexta-feira: somente para participar das eleições e garantir mais um voto para Arthur Lira, candidato de Jair Bolsonaro.  

A cúpula do governo federal não quis assumir o risco de manter a suplente de Tereza Cristina, Bia Cavassa (PSDB), que poderia votar em Baleia Rossi, como vai fazer o também tucano Beto Pereira.  

Rose Modesto (PSDB), apesar de não revelar o voto, poderá seguir caminho oposto ao de Beto Pereira. Ontem, o Placar Estadão apontava que Rose votaria em Lira.  

Para não entrar em conflito com a base e evitar constrangimento com o governo, os dois deputados do PSL, Luis Ovando e Loester Trutis, também devem votar em Lira.  

Além de Beto Pereira, Baleia Rossi deverá contar em Mato Grosso do Sul com os votos de Dagoberto Nogueira (PDT) e Vander Loubet (PT). 

O nome de Vander, porém, é apontado pelo Placar Estadão entre os deputados indecisos: pudera, embora o PT tenha confirmado apoio a Rossi, há deputados cujas bases são municipalistas e fortemente comprometidas com a liberação de emendas, como a de Loubet, que poderão trair o PT.  

A maior incógnita de Mato Grosso do Sul é o deputado Fábio Trad (PSD). Famoso por marcar posição como independente e fazer discursos duríssimos contra a gestão do presidente da República, Trad tem adotado o silêncio. Parte de sua base o pressiona para votar em Baleia Rossi, mas seu partido, o PSD, dará apoio majoritário a Lira. 

Na outra Casa, o Senado, seu irmão, Nelson, está fortemente comprometido com as pautas governistas.

Nos bastidores, comenta-se que é grande a possibilidade de Trad marchar com Lira e deixar eventuais descontentamentos com sua base para depois.

AS ELEIÇÕES

O Congresso Nacional volta aos trabalhos neste mês de fevereiro marcado por pressões das ruas, que questionam a gestão do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia de Covid-19. 

O avanço dos casos e das mortes no período somado ao atraso na vacinação têm elevado a pressão sobre o governo.  

E é da presidência das Casas que vêm o poder para enfrentar essas pressões. O presidente da Câmara é quem tem o poder de abrir um processo de impeachment contra o presidente da República. Já são pelo menos 60 pedidos aguardando uma definição de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que deixa a presidência da Casa de Leis. 

O presidente da Câmara também é o terceiro na linha sucessória da Presidência – só fica atrás do presidente, Jair Bolsonaro, e do vice, Hamilton Mourão (PRTB).  

No Senado, o presidente da Casa também comanda o Congresso Nacional e é quem tem o poder de pautar projetos importantes, como emendas constitucionais. 

Além disso, é o presidente do Senado que pode abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), órgão máximo do Poder Judiciário e que tem sido alvo de muitas críticas de políticos alinhados a Jair Bolsonaro.

Os presidentes da Câmara e do Senado, juntos, têm o poder de nomear nada menos que 700 servidores e mais 3 mil colaboradores, entre terceirizados e comissionados. Eles ainda podem abrir comissões parlamentares de inquérito (CPIs), velhas conhecidas dos brasileiros, mas que passaram longe da gestão de Jair Bolsonaro.

As eleições começam às 18h nas duas Casas e serão presenciais. A maioria dos votos em cada casa é suficiente para fazer o vencedor. O Senado tem 81 representantes, e a Câmara dos Deputados, 513. 

Assine o Correio do Estado

Crise

Nelsinho Trad aponta preocupação com crise no Paraguai e possíveis reflexos em MS

Presidente do país vizinho renunciou ao cargo em meio à crise

05/11/2026 15h44

Nelsinho Trad

Nelsinho Trad Saulo Cruz/Agência Senado

Continue Lendo...

Eleições 2026

Eleitor que faltou no 2º turno tem até 8 de janeiro para justificar o voto

Pessoas, de 18 a 69 anos, que viajaram, mudaram de cidade, ficaram doentes ou por qualquer outro motivo deixaram de votar, devem justificar o voto

05/11/2026 10h25

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica Paulo Ribas

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).