Já tiveram início as articulações que definirão os presidentes, vices e membros das comissões que fazem parte da Câmara Municipal de Campo Grande.
Lideranças acreditam que as principais comissões, como a permanente de Legislação, Justiça e Redação Final (CCJR) e a de Finanças e Orçamento, devam ser comandadas pelo PSD, partido do prefeito Marcos Trad e que conta com a maior bancada da Casa de Leis, com seis vereadores.
O nome ventilado para continuar na presidência da CCJR é o do atual mandatário do colegiado, Otávio Trad (PSD), que, além de parlamentar, é sobrinho do atual prefeito.
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Apesar de obter um cargo eletivo e não haver nenhum impeditivo jurídico para que ele assuma essa função, muitos adversários do clã Trad na Capital questionam essa postura, que consideram uma concentração de poder.
Questionado sobre esse tipo de queixas de seus adversários, Otávio preferiu não comentar.
No entanto, em relação à articulação para a sua permanência à frente da comissão mais importante da Casa, ele explicou que os colegiados devem ser compostos por parlamentares que entendem do ambiente em que estão inseridos.
Apesar de ter o nome citado, ele explicou que apenas foi indicado pela bancada para compor a comissão, ou seja, isso não lhe garante cargo de mandatário do colegiado.
“É natural que eu seja indicado pelos meus pares, bem como ter meu nome prospectado ao cargo, já que desde meu primeiro mandato, que teve início em 2013, eu pertenci à CCJR como membro, posteriormente como vice e nos últimos mandatos como presidente. Por conta da minha experiência na comissão, acredito que meu nome deve estar no meio dos membros dela”, elencou.
Ainda de acordo com o parlamentar, outro processo natural no Legislativo da Capital é o fato de sempre a maior bancada presidir as comissões mais importantes, já que o regimento interno da Câmara exige a composição delas pela proporcionalidade.
Ou seja, quem tem mais cadeiras geralmente é quem assume a CCJR.
Em relação ao término dessas tratativas, o parlamentar afirmou que logo no início do ano legislativo, no dia 18 de fevereiro, os vereadores farão uma grande reunião, na qual serão escolhidos, em definitivo, os nomes que vão ocupar cada função.
“Não podemos perder tempo nesse processo, pois já votamos projetos em caráter emergencial”, projetou.
PSDB
O vereador João Rocha (PSDB), cotado logo após a eleição de 2020 para assumir a presidência da Casa de Leis, cargo que foi conquistada por Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, revelou que os tucanos, segunda maior bancada da Casa, com três vereadores, pretendem compor as comissões de Justiça e Redação Final, Indústria e Comércio, Consumidor, Educação e Esporte.
“Como todo partido, nós do PSDB tentaremos ficar em todas as [comissões] significativas ou que tenham conexão com nós vereadores”, argumentou.
Sobre uma possível presidência, já que é uma das lideranças tucanas na política da Capital, João César Matogrosso (PSDB) foi categórico e afirmou que não pretende comandar nenhuma comissão.
Já o cacique e ex-presidente da Câmara João Rocha (PSDB) afirmou que ainda é muito cedo para falar em ocupação de comissões e que acredita que isso deva ocorrer apenas quando os trabalhos dos vereadores retornarem, no dia 18.
“É prematuro falar quem vai assumir qualquer cargo nessas comissões, pois muita coisa pode acontecer até lá. Nós do PSDB queremos sim, pela proporcionalidade, ter representante em todos os principais colegiados da Casa”, analisou.
Sem oposição
A oposição ao governo Trad é quase inexistente na Casa de Leis da Capital. Os partidos de esquerda conseguiram eleger apenas três representantes: Camila Jara e Ayrton de Araújo, ambos do PT, e Marcos Tabosa (PDT).
Única mulher pertencente a essa legislatura, Jara afirmou que pretende presidir a Comissão de Mulheres e Direitos Humanos, além de compor a de Finanças e Orçamento do Executivo.
Sobre o agrupamento, a vereadora afirmou apenas que existe um bloco por um ideal em comum. “Hoje existe um bloco comprometido com ideais, que não é uma oposição oficial, mas que está trabalhando junto e alinhado”.
Já Tabosa, sindicalista que representa os servidores do município, foi por muitas vezes uma pedra no sapato do atual prefeito de Campo Grande. Hoje, o discurso é mais comedido, e ele diz ser “impossível” conseguir a presidência de qualquer comissão.
Patriotas
Porém, contrariando a tese de Tabosa, o médico e vereador de primeiro mandato Sandro Benites (Patriotas) adiantou que provavelmente vai conduzir a Comissão de Saúde. Outro colega de legenda, e também novato na Casa, Edu Miranda deverá comandar a Comissão de Assistência Social.