Política

Reforma administrativa

Para acomodar aliados, Marcos Trad muda secretarias municipais

Um dos beneficiados é o ex-vereador Chiquinho Telles, que não conseguiu se reeleger

Gabrielle Tavares

22/02/2021 - 09h30

O ex-vereador e hoje assessor especial do prefeito Marcos Trad (PSD), Chiquinho Telles (PSD), revelou que deve assumir o comando da nova Subsecretaria de Articulação Social e Assuntos Comunitários. 

A nova autarquia municipal poderá ser criada após aprovação na Câmara e a sanção de Trad do projeto de lei 03/2021, que dispõe sobre a reforma administrativa do Poder Executivo de Campo Grande.  

Ao Correio do Estado, Telles revelou que recebeu o convite do prefeito para assumir a pasta no início de fevereiro. 

“Assim que o prefeito me chamou, eu prontamente atendi seu pedido. Essa pasta é algo que venho lutando há anos e vem ao encontro a minha luta política, ou seja, fortalecer a integração entre os bairros com o Poder Executivo”, afirmou.

Últimas notícias

Ainda de acordo com o assessor especial, a subsecretaria, entre outras incumbências, tem a função de aproximar a prefeitura das lideranças comunitárias e entidades filantrópicas. 

“Esses agentes têm bastante articulação com a Câmara Municipal, porém, na prefeitura não existe um órgão específico para recebê-los e ouvir suas reivindicações. Essa falta de uma estrutura específica pode ocasionar um ruído e atrapalhar que o Executivo atendesse muitas das demandas da nossa sociedade, principalmente na área social".

"Portanto, agora teremos esse canal direto e no comando de alguém que sempre esteve na causa comunitária, que sou eu”, explicou.

Apesar da afirmação do prefeito de que a nova reestruturação não tem o objetivo de aumentar despesas na máquina pública, o ex-vereador afirmou que planeja criar um fundo para captar recursos em prol de reformas de sedes e centros comunitários.  

“Muitos desses locais, que são muito importantes para os moradores, estão praticamente abandonados, pois passaram anos sem nenhuma reforma. Nossa intenção é transformar essas estruturas para que a participação da comunidade seja ainda maior nas decisões que podem transformar a realidade dela".

"Hoje, temos até dificuldade para que as pessoas se interessem em assumir a presidência desses bairros, mas, com a subsecretaria, pretendemos mudar esse processo”, concluiu.

SECRETARIADO

O projeto de lei 03/2021 dispõe sobre a reforma administrativa do Poder Executivo de Campo Grande. Ele foi apresentado na quinta-feira (18) na Câmara Municipal da Capital.  

Entre as principais mudanças, estão a transformação da Diretoria-Geral de Compras e Licitação em Secretaria-Executiva de Compras Governamentais; mudança na nomenclatura da Controladoria-Geral  de Fiscalização e Transparência, que passa a se chamar Controladoria-Geral do Município.

E o rebaixamento de secretaria para subsecretaria da Pasta de Gestão e Projetos Estratégicos, além da criação da Subsecretaria de Articulação Social e Assuntos Comunitários, que será assumida por Telles.  

Segundo a prefeitura, a reformulação administrativa será absorvida pela estrutura atualmente existente, com a transformação de cargos, sem aumento de despesas.

De acordo com Trad, o reordenamento não poderá ter gastos acima do que já foi apresentado pelo Poder Executivo na Lei Orçamentária Anual (LOA) para exercício de 2021, aprovada pela Câmara e sancionada por ele.

“Para conter aumento nas despesas, já existe uma lei federal e, por esse motivo, não posso aumentar a oneração dos cofres públicos com custos de pessoal. Portanto, todo o reordenamento ou reestruturação têm de ser com os ingredientes que nós temos".

"Não posso criar uma secretaria e criar um gasto acima do que já foi previsto no ano anterior, se existem 10 secretarias e seis funcionários, posso criar a 11ª, porém, terei de reutilizar os servidores já existentes no nosso quadro de funcionários”, explicou.

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