A morte do senador Major Olimpio (PSL), por complicações decorrentes da Covid-19, ontem, retoma a pressão no Senado para a abertura da comissão parlamentar de inquérito para investigar eventuais negligências do governo no combate à Covid-19.
O ímpeto pela abertura da CPI acabou controlado com a eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a presidência da Casa, no início de fevereiro, mas a morte de Olimpio, ex-integrante da base de Bolsonaro e que ultimamente questionava muito as ações do governo, inflamou a casa, segundo o Correio do Estado apurou com um parlamentar, e pode confirmar a abertura da investigação.
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Olimpio, de 58 anos, teve morte cerebral confirmada pelos médicos ontem, após ser diagnosticado com Covid-19. Com a confirmação do falecimento do parlamentar, o Senado já contabiliza três óbitos em decorrência da doença.
O primeiro óbito confirmado foi o de Arolde de Oliveira (PSD-RJ), de 83 anos, em outubro do ano passado. O senador José Maranhão (MDB-PB), de 87 anos, morreu em fevereiro de 2021.
ACIRRAMENTO
Com as mortes, o caldeirão político no Congresso Nacional pode acirrar ainda mais e crescem as chances de que o Senado coloque em pauta o pedido de instauração de Comissão Parlamentar de Investigação (CPI), para apurar possíveis erros cometidos no combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), nas esferas municipal, estadual e federal.
A esfera federal é a mais pressionada, pois o mandatário dela é o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao negar a potência da doença, no início da pandemia, incentivar aglomerações, refutar a importância do uso de máscaras, dar declarações contra medidas de distanciamento social e rechaçar a importância de um dos dois únicos imunizantes que estão sendo aplicados na população brasileira, a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês, Sinovac.
REPERCUSSÃO
O senador Nelson Trad Filho (PSD-MS) lamentou a morte de Olimpio e afirmou que o colega era um parlamentar íntegro e de caráter ilibado. “Com certeza, é uma grande perda, pois além do caráter, seria um importante aliado para enfrentarmos esse momento tão difícil que atravessamos. Portanto, eu lamento muito essa perda grande para a política brasileira”.
Sobre a CPI, o senador afirmou que a pressão para que ela fosse instaurada havia, nas palavras dele, arrefecido por conta da troca no Ministério da Saúde, que tirou Eduardo Pazuello da pasta e assumiu o médico cardiologista, Marcelo Queiroga.
No entanto, essa terceira morte confirmada na Casa pode esquentar o debate, e a comissão pode ganhar força no Congresso.
“Sempre quando acontece um fato chocante desse, o debate político acirrado e a pressão da sociedade aumentam para que o Congresso tome alguma atitude. Quando a doença bate à porta, os agentes políticos tendem a se movimentar com mais ênfase. Portanto, teremos de aguardar como a Casa vai assimilar o golpe nos próximos dias”, projetou.
A senadora Soraya Thronicke (PSL) afirmou, apenas em suas redes sociais, que o golpe foi grande, pois tinha uma grande amizade com o político paulista e colega de legenda.
Estou sem chão. Perdi um irmão. Perdi um amigo, um grande exemplo de retidão. A Covid-19 calou mais uma voz, uma grande voz. Está doendo muito. Que a família tenha paz. Vá com Deus, meu irmão”, publicou em sua conta no Twitter.
Já a senadora Simone Tebet (MBD) também lamentou a morte de Olimpio, porém ressaltou a importância da abertura da comissão dizendo que a morte dele representa a despedida de outros 280 mil brasileiros que foram embora sem uma despedida adequada.
“Essas pessoas se foram sem abraços, sem acenos de mão, sem direito a um velório, em que seus familiares pudessem se despedir. Ele também representa a tragédia anunciada de um País que tem um governo que, embora diga que não nega mais a pandemia, não pratica gestos, nos quais confirma acreditar que a pandemia fugiu de controle, matando vítimas inocentes, quando tínhamos estruturas para salvá-las”.
E continua o relato afirmando que “a falta de leitos, remédios e até de caixão é simplesmente porque não fizemos o dever de casa. Enquanto o mundo contratou o maior número de vacinas e está imunizando a população, nós temos de conviver com esse descontrole pandêmico.
Portanto, o Congresso Nacional tem de parar tudo o que está fazendo e reunir esforços para cobrar vacinação em massa, programas emergenciais para socorrer a economia como um todo, por fim apurar possível omissão e responsabilidades dos agentes públicos. A CPI não é para condenar, mas, sim, para investigar quem quer que seja”, concluiu Tebet.
Histórico de Olimpio
O senador Sérgio Olimpio Gomes (Majo Olimpio) estava internado desde o dia 2 de março no Hospital São Camilo, na capital paulista, e no dia 5 de março foi transferido para uma unidade de tratamento intensivo (UTI).
Natural de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, Olimpio completaria 59 anos em 20 de março. Foi deputado federal por um mandato, além de ter sido deputado estadual em São Paulo por dois mandatos. Antes de se dedicar à carreira política, Olimpio serviu como policial militar no estado de São Paulo por 29 anos.
O senador deixa esposa e dois filhos. Antes de ingressar no PSL, em março de 2018, o senador já havia passado pelo Partido Verde, PDT e Solidariedade.